Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2021
“Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas.” Mediante o pensamento do sociólogo Zygmuny Bauman, compreende-se que, com os meios eficazes, a sociedade brasileira pode superar os desafios relacionados ao tráfico humano, responsável por configurar um cenário preocupante. É preciso analisar, pois, a ineficácia governamental e a negligência da sociedade perante tal forma de exploração, como propulsores do imbróglio.
Em primeiro lugar, é oportuno mencionar que o pensador Thomas Hobbes, em sua obra “Leviatã”, defende a obrigação do estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso de todo corpo social. A óptica do filósofo, todavia, vai de encontro com o contexto vigente, uma vez que o poder público não direciona um olhar a ações que poderiam resolver a questão do comércio de pessoas, como uma maior fiscalização da Polícia Federal nos processos de aquisição de visto e passaporte às propensas vítimas do crime no país. Logo, enquanto as autoridades forem negligentes, poder-se-á observar a persistência do contrabando de brasileiros para fins de escravização e exploração sexual no exterior.
Em segundo lugar, é fundamental apontar que o revés também encontra motivação na negligência e omissão da sociedade perante o crime. Nesse contexto, em sua obra “Ensaio Sobre Cegueira”, o estudioso José Saramago expõe o fenômeno da cegueira moral, que se caracteriza pela alienação da sociedade diante das demais realidades que a cercam. Sob esse viés, no que tange a questão de aliciamento e manipulação de possíveis vítimas do crime de tráfico humano, muitas pessoas se omitem ao presenciarem situações suspeitas, ora por receio, ora por ausência de empatia. Tal comportamento de negligência, fomenta caminhos para a pertinência do tabu existente nesse campo e corrobora a problemática. Urge, dessa forma, a necessidade da criação de medidas para resolver o impasse.
Diante ao exposto, atenuar os desafios relacionados ao tráfico humano no Brasil, é fundamental. Logo, a Polícia Federal — responsável pelas questões imigratórias do país —, deve, mediante treinamento adequado, promover a especialização de sua equipe para mediar as entrevistas nos respectivos Consulados, com o intuito de identificar com mais rigor as possíveis vítimas que, majoritariamente, são mulheres jovens. Além disso, os veículos midiáticos devem divulgar debates acerca do tema, com o intuito de alertar e levar informações à população sobre tal realidade que, infelizmente, ainda é encarada como tabu por muitos. Espera-se, com essas medidas, aproximar-se do pensamento do ilustre sociólogo Bauman.