Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 25/10/2021
Desde as primeiras civilizações da humanidade o tráfico humano esteve presente na sociedade, no império romano era comum a captura e venda de povos vencidos em batalhas; posteriormente, na época das grandes navegações, o tráfico negreiro foi característica marcante desse período de exploração das Américas. Mesmo que transcorridos vários séculos e que se tenham criado leis que proibam tal prática desumana, hodiernamente essa permanece fortemente atuante, sendo classificada com um dos negócios mais rentáveis do mundo. Seja pela falta de fiscalização ou pela ideologia capitalista de acumulo de capital, o tráfico de pessoas continua submetendo indivíduos à condições de vida indignas e cruéis, principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil.
Indo de encontro com esse comércio, a falta ou ineficácia da fiscalização das fronteiras brasileiras são importantes contribuintes para a entrada e saída de indivíduos que estão sendo comercializados. A deficiência de verba, acarretando em poucos fiscais, a larga extensão fronteiriça do país e a corrupção dos orgãos fiscais são causas dessa ineficiêcia. Além disso, a falta de empregos e de perspectiva de vida, a baixa escolaridade e a violência urbana, são todas características de um país pobre ou em desenvolvimento e consequentemente, devido a vulnerabilidade dos indíviduos encontrados nessa situação de abandono e precariedade, estes ficam mais suscetíveis a serem submetidos ao tráfico humano.
Ademais, esse comércio tem normalmente como destinos a lucrativa indústria sexual e o fornecimento de mão de obra para o trabalho escravo. Esse último é consequência da ideologia capitalista inserida na contemporaneidade, na qual o acumulo de capital é posto acima de tudo e todos. Enquadra-se aqui a Fast Fashion (moda rápida), a qual caracteriza-se pela produção exponencial de peças de roupa extremamente baratas, consequência de uma mão de obra submetida à situações de trabalho escravo, barateando assim o custo de produção e tornando-as atrativas ao consumidor.
À luz do exposto, é de suma impotância que o Governo brasileiro disponibilize, de forma coerente e eficaz, verba suficiente para a fiscalização adequada dos espaços fronteiriços do Brasil, por meio da contratação de mais fiscais e da compra de tecnologia para tal atividade. Com isso, será possível diminuir o fluxo de pessoas tráficadas no país, além de interceptar os responsáveis por tal atividade. A conscientização da populção sobre a ligação entre o consumismo exacerbado e o trabalho escravo é também uma importante estratégia para minimizar o tráfico humano no Brasil e no mundo, Desta forma, ocorrerá a diminuição de tal exploração da vida que assola a humanidade desde a antiguidade.