Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 26/10/2021

Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com a questão do tráfico humano no Brasil, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete o caos e a desordem no meio coletivo, assim, evidenciando uma grave mazela que precisa ser extinguida, pois ela deturpa a harmonia comunitária. Portanto, é mister assentir que a ganância e os valores morais deturpados disseminados na sociedade, adjunto ao descaso do Governo, são responsáveis pela cristalização do revés na corpo social e, consequentemente, o cenário abjeto.

Em primeira instância, é fulcral anuir que o comércio de seres humanos, o qual é responsável por distintas enfermidades, como a exploração e escravidão sexual, trabalho forçado, tráfico de drogas e outros, acomete a sociedade brasileira, de modo a comprometer o bem-estar coletivo, haja vista que, os brasileiros são os mais vulneráveis a essa adversidade, como divulgado pelos dados da Pesquisa Nacional sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes (PESTRAF). Nesse contexto, é necessário salientar que esse empecilho é fruto do desejo obcessivo pelo dinheiro, além dos valores errôneos difundidos no meio coletivo, tendo em vista que, esses fatores motivam as pessoas a cometerem tal ação excruciante, logo, é perceptível a semelhança entre o panorma contemporâneo e a “Modernidade Líquida”, definida pelo sociólogo Zygmunt Bauman, como egoista, sem moral e tóxica.

Em segunda análise, urge ratificar que o poder público se torna responsável pelo cenário aflitivo, visto que, ao não se mobilizar para combater o problema, ele se tornou complacente. Dessa forma, contribuindo para o progresso dessa problemática na sociedade, ignorando sua obrigação com o povo brasileiro de garantir o bem-estar comunitário. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual foi criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para definir as instituições que não cumprem com suas funções e, no entanto, mantém suas formas. Ademais, há uma violação a Constituição Federal de 1988, em razão do desamparo social com os indivíduos acometidos pelo óbice, já que os direitos prometidos não são efetivados, afetando negativamente a vida das pessoas.

Dessarte, para evitar um cenário semelhante ao do século XVII, o qual era vítima das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, promova uma campanha conscientizadora, a qual atue instruindo as pessoas a se precaverem desse problema, além de erradicar do meio comunitário a ganãncia e os valores morais detupardos, mediante uma parceria com os principais agentes televisivos, assim aumentando a eficiência do ação. Desse modo, corroborando o bem-estar coletivo e os direitos prometidos pela Constituição Federal de 1988.