Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 26/10/2021

Durante meados do século XVII, o tráfico negreiro se tornou um comércio bastante popular, aliado à escravidão. Nesse período, negros eram trazidos da África para a América à força, realizando trabalhos forçados. No entanto, mesmo com a abolição da escravatura no Brasil em 1888, o tráfico humano continua em atuação nos dias hodiernos, utilizando, principalmente, propostas de emprego irreais para chamar a atenção. As principais vítimas dessa estratégia são cidadãos de áreas economicamente carentes, além do mercado particularmente relacionado à exploração sexual de mulheres.

Primeiramente, é importante salientar a maior vulnerabilidade que regiões pobres apresentam aos artifícios do tráfico de gente. Como exemplo, o filme de Renato Barbieri, “Pureza”, se baseia na história real da mãe Dona Pureza, que parte em uma busca de seu filho desaparecido, após o jovem buscar um trabalho na região do Pará, nos anos 1990, e acaba encontrando um grande esquema de tráfico humano e escravidão nas fazendas do Norte. Assim como nesse caso, a situação de pobreza é um dos principais motivos que levam os jovens a serem pegos nesse sistema de tráfico. Dessa forma, países com fortes traços de desigualdade como o Brasil são os principais alvos de facções de tráfico humano, sendo assim, um crime organizado que deve ser rigorosamente combatido.

Além disso, é preciso dar destaque ao perigo específico que as mulheres correm em relação ao tráfico de gente: O transporte ilegal com fins de exploração sexual. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre 2017 e 2019, foram registrados quase 400 denúncias de tráfico de mulheres na ouvidoria do “Ligue 180”, sendo mais da metade das ligações relacionadas à exploração sexual. Desse modo, é lógico afirmar que existe uma forte vertente dessa modalidade criminal que trabalha apenas para o sequestro de mulheres, sendo necessária uma atenção especial para o socorrimento e precaução das vítimas e possíveis sequestradas do sexo feminino.

Portanto, é notável que são necessárias ações para promover um combate mais rigoroso e ativo do tráfico humano, com foco nas regiões mais pobres e com atenção especial à exploração sexual de muheres. Dessa maneira, é dever do Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério do Trabalho, alavancarem a fiscalização em regiões mais próváveis de serem alvos do tráfico de pessoas, como zonas rurais no Norte e Nordeste, com objetivo de dificultar a atuação e manutenção desse sistema criminal que se utiliza de locais carentes para atuação. Além disso, é necessário que o Ministério da Mulher promova campanhas de conscientização em comunidades carentes, acerca dos direitos contratuais trabalhistas das mulheres, com objetivo de acentuar o cuidado ao aceitar empregos em áreas distantes. Somente assim, um novo tráfico negreiro não aparecerá na história do Brasil.