Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 31/10/2021
No longa-metragem “O Elo Perdido”, um grupo de cientistas europeus, expoentes do evolucionismo, parte para o continente africano com um único objetivo: raptar um “hominídeo negro” para submetê-lo a experimentos que comprovariam a superioridade dos caucasianos. Na realidade, assim como na ficção, inúmeras pessoas são sequestradas e emigram forçadamente pelos mais diversos motivos, o mais comum sendo a exploração sexual, segundo a Folha de São Paulo. Portanto, torna-se preciso analisar a causa da persistência desse crime na hodiernidade e quais são seus grupos de risco.
Mormente, é óbvio que tal problema persiste devido ao seu caráter tristemente lucrativo. Sobre isso, basta lembrar um fato curioso a respeito da antiga cidade de Pompéia: a escravidão sexual de estrangeiras era tão produtiva economicamente que, por toda parte, havia símbolos fálicos gravados no chão apontando na direção dos bordéis locais. De fato, a principal sustentação do tráfico de mulheres é o revoltante mercado “consumidor” masculino, cuja demanda é propagada pelo patriarcado. Enquanto houver impunidade a respeito da cultura de predação sexual, o sequestro de moças persistirá em todo o mundo. Aliás, como maior representantes desse lado lucrativo do crime, há a Tailândia e o próprio Brasil, que ganham fama internacional como destinos do turismo sexual.
Outrossim, é evidente que a percepção de vulnerabilidade física é determinante no perfil das vítimas de tráfico sexual. Segundo o website “Politize”, a maior parte dos sequestrados é composta por mulheres e crianças. Também, de acordo com o psicanalista “Bruce Fink”, em sua “Introdução à psicanálise”, fantasias de dominação corporal são prevalentes entre os homens. Ou seja, há uma correlação entre a percebida “fraqueza” dos raptados e sua propensão ao sequestro. Mesmo que essa desigualdade de força não seja real, essa é uma visão difundida entre tais predadores. Logo, é preciso romper com tal retórica de vulnerabilidade de modo a desmotivar os perpetuadores.
Destarte, explorados os fundamentos dessa problemática e as peculiaridades das vítimas, é papel do Gabinete Presidencial, por meio de um discurso no próximo Fórum Econômico Mundial, contradizer a imagem nacional de “hotspot” do turismo sexual e anunciar a adoção de políticas mais lenientes, de forma a reduzir o fluxo de predadores sexuais ao País. Por fim, também é dever do Ministério da Mulher e Direitos Humanos, mediante cooperação com as Secretarias de Esporte e Lazer de todos os municípios, inaugurar cursos de autodefesa para mulheres e crianças, visando a atenuar a visão de “alvo fácil” desses grupos e combater o problema do tráfico de pessoas que persiste desde o período colonial, como mostra “O Elo Perdido.”