Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 02/11/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude e o medo refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo tráfico humano no Brasil é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e o capitalismo desenfreado.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa o tráfico humano no Brasil. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, os indivíduos traficados acabam tendo seus órgãos extraídos para a venda ou são vítimas de exploração sexual. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente preciso apontar o capitalismo como outro fator que contribui para a manutenção do tráfico humano brasileiro. Segundo o filósofo alemão Karl Marx, tudo vira mercadoria no capitalismo. Por conseguinte, é indubitável afirmar que o ser humano é um item valioso para ser comercializado no capitalismo, indicando que a rota do tráfico é a rota do dinheiro. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar. Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar o tráfico humano no Brasil.
Dessarte, é importante que o Governo Federal juntamente com a Polícia Federal, deve recrutar novos policiais e melhorar os equipamentos, por meio de investimentos gerados pelos impostos cobrados dos brasileiros, a fim de amenizar o sequestro e tráfico dos indivíduos. Ademais, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos em parceria com as instituições privadas, investigar locais e rotas de comércio no mercado externo e interno, por intermédio de investigações minuciosas e investidas policiais realizadas por profissionais da área, com o objetivo de acabar com a comercialização do ser humano no mercado. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.