Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 01/11/2021
Na novela ´´Salve Jorge``, exibida no ano de 2012, mostrava uma quadrilha que levava mulheres pobres para a Turquia com promessas de bons empregos quando, na verdade, elas eram vendidas. Similar às telas, essa é uma realidade enfrentada por muitas pessoas no Brasil, haja vista que a questão do tráfico humano vem crescendo a cada dia na nação brasileira. Nesse contexto, têm-se a negligência governamental e a desigualdade social como entraves para o fim deste revés.
Diante desse cenário, é primordial citar a ineficácia estatal como óbice nesse imbróglio. Isso decorre da falta de segurança nas fronteiras brasileiras - local onde há um maior número de vítimas sendo traficadas - e da escassez de busca e prisão aos integrantes de quadrilhas que traficam pessoas, uma vez que, sem tal investigação, os criminosos continuarão a traficar e, consequentemente, aumentam-se a proporção de vítimas. Sob o olhar do filósofo contratualista Thomas Hobbes, em sua teoria do Contrato Social, há um pacto entre a sociedade e o Estado onde o segundo deve garantir o bem-estar do primeiro. Entretanto, tal função não está sendo cumprida, pois com a perpetuação deste crime, cada vez mais pessoas têm sua vida perdida ao serem tráficadas, seja para a morte e venda de órgãos do corpo, para serem feitas de escravas ou obrigadas a se prostituírem.
Ademais, a disparidade socioeconômica é outro fator que corrobora para a continuação do problema na nação brasileira. Nessa óptica, por precisar de dinheiro para pagar as contas mensais, a população mais pobre - e sobretudo desempregada - acredita nas promessas ilusórias de trabalho advindas dos traficantes e, sem saber, viajam para outro país ou região longe de conhecidos para serem vendidas - seja para casamento ou escravidão - ou se prostítuirem em boates de luxo. Exemplo disso ocorria na novela supracitada, ´´Salve Jorge``, onde a máfia de traficantes escolhia garotas e pobres e da periferia e as iludia com ilusões de trabalho no exterior. Por conseguinte, se a desigualdade continuar a ocorrer no corpo social brasileiro, o povo pobre, desempregado e periférico ficará a mercê de situações como essa para sobreviver.
Em suma, cabe ao Ministério de Segurança, por meio da contratação de profissionais especializados em busca, como detetives, realizar, juntamente com os contratados, a procura por máfias clandestinas de tráfico de pessoas, prender os criminosos e localizar as vítimas para que elas possam sair daquela situação e ter a vida que possuiam antes. Além disso, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, por meio de verbas financeiras advindas do governo federal, oferecer cursos profissionalizantes e ofertas de trabalho aos grupos mais pobres para que eles não precisem se submeter a promessas ilusórias de emprego.