Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 03/11/2021
“Holocausto Brasileiro”, livro da jornalista Daniela Arbex, denuncía as condições desumanas de um hospital psiquiátrico mineiro, o Hospital Colônia. Além de retratar o triste cotidiano dos pacientes, Daniela também mostra como a sociedade brasileira da época não se envolvia com aquilo, ou seja, a população simplesmente fechou os olhos para essa violência. Apesar do hiato temporal, a sociedade brasileira continua não se envolvendo com diversas questões que, na teoria, são de interesse coletivo, como, por exemplo, a histórica situação de tráfico de pessoas. A partir desse contexto, para entender o impacto que a não superação do tráfico causa na sociedade, é válido discutir o seu principal motivador.
Com efeito, é fundamental entender que a objetificação do indivíduo é o principal causador desse problema, isto é, enxergar o outro apenas como uma possível forma de ganhar dinheiro. Isso acontece, pois, como já retratado por José Saramago em seu livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, o ser humano tem facilidade de ser individualista e tirar proveito da situação quando é conveniente. Ao seguir essa linha de raciocínio, nota-se que o tráfico humano é uma forma ilícita de fazer dinheiro, fruto da manutenção de um pensamento voltado para o lucro, assim, o dinheiro se torna mais importante que o próprio sentimento de humanidade.
Convém pontuar, ainda, que o maior impacto gerado pela persistência do contrabando de pessoas é a naturalização da violência, ou seja, essa situação crescente de crimes passa a ser o “novo normal”. Prova disso é o dado da OMS, no qual o Brasil é o nono país mais violento do mundo. Percebe-se, assim, que o tráfico ainda é um problema atual, porém, a naturalização dele faz com que não se discuta sobre esse assunto. Além disso, nota-se que os países mais desenvolvidos, como a Finlândia, que ocupou, pelo quarto ano seguido, o primeiro lugar no Ranking de Felicidade da ONU, buscam proteger, com sucesso, a sua população desse tipo de situação. Dessa forma, apesar do Brasil ser um dos países mais violentos do mundo, cria-se a sensação de ser um problema distante, logo, não se procura formas de combatê-lo, agravando, ainda mais, a situação.
Portanto, percebe-se a urgência em resolver a questão do contrabando humano. Para isso, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Economia, destine recursos financeiros para projetos que visem melhorar a fiscalização das denúncias. Tal medida ocorrerá por meio da criação de um Projeto Nacional de Combate ao Tráfico Humano, o qual irá funcionar como instrumento de orientação para políticas públicas. Isso será feito a fim de superar esse trágico crime. Afinal, é chegada a hora do Brasil lidar com esse problema sem transformá-lo em outro holocausto.