Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 09/11/2021
Conhecida como ``Cidadã´´, por ter sido concebida durante o processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos dos brasileiros. No entanto, diante do cenário exposto pelo tráfico humano no Brasil, nota-se que os ideais presentes na Carta Magna não estão sendo realmente aplicados. Nesse contexto, é importante expor que a escassez de debate, aliada à priorização de interesses financeiros corroboram na vicissitude em questão.
Em primeiro plano, é conspícuo que a falta de discussão a respeito do problema. Sob tal ótica, o sociólogo alemão Jürgen Habermas traz uma contribuição relevante ao afirmar que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um impasse seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. Nessa lógica, a realidade brasileira contraria essa ideia na medida em que o tráfico de pessoas não é discutido de forma ampla no país, de modo que o povo muitas vezes não tem ciência de que tal barbaridade exista e seja um grave problema social.
Ademais, outro ponto relevante é a priorização de interesses financeiros. Nesse contexto, Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, cunhou o conceito de Indústria Cultural para criticar a desvalorização da arte no contexto do capitalismo cultural. Diante dessa perspectiva, problemas como o tráfico humano florescem em virtude da supremacia de interesses financeiros que acabam por ganhar grandes proporções, o que, por consequência, fere os direitos humanos e causa a objetificação dos sujeitos - à exemplo do tráfico de mulheres para a prostituição -.
Em suma, com o intuito de reverter a situação atual e extinguir o tráfico humano, é imprescindível que o poder público - mantenedor das leis, do bem-estar social e do progresso civilizatório - desenvolva, por meio de verbas governamentais, campanhas de conscientização da nação a respeito da adversidade supracitada, além de órgãos especializados em combater tal crueldade. Dessarte, almejar-se-ia um Brasil mais justo e igualitário.