Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 10/11/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a deseperança refletidas no semblante de um personagem envolto num cenário de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo tráfico humano é semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas do problema que tem como raízes: a negligência governamental e o silenciamento em torno sobre o assunto.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a defasagem em torno de políticas públicas. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zgymunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido há baixa atuação das autoridades, nota-se que ainda não existe a quantidade necessárias de leis e políticas públicas para acabar com o problema. Pois apesar da emergência para uma solução, o País começou a vizualizar o problema com a criação da primeira lei apenas em 2016. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente precioso apontar o silenciamento do assunto como outro fator que contribui para a manutenção do tráfico humano. Posto isso, o filósofo Habermas, traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é a verdadeira forma de ação, ou seja, para que haja um avanço acerca do tema é necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna em torno de informações e debates. Segundo informações do portal noticiário Uol, na qual foi entrevistado especialistas no assunto há ainda fatores como a falta de autoreconhecimento da condição de vítima, desconfiança nas autoridades públicas, falta de informação sobre os mecanismos de denúncia, medo de represálias dos criminosos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, infere-se que ainda há entraves para solidificação de um mundo. Dessa maneira, urge que o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União deve fiscalizar o destino dos investimentos brasileiros a fim de remanejá-los a criação de campanhas e anúncios públicos sobre o tráfico humano. Além disso, incentivar a geração de debates com especialistas para que as afetadas consigam identificar, aprender a denunciar e aonde procurar por ajuda. Somente assim, os sofrimentos emocionais retratados por Munch ficará apenas no corpo artístico.