Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 11/11/2021
Hannah Arendth - filósofa alemã - denunciou, no século XX, o principal atributo da contemporaneidade: a maldade humana. No entanto, o pensamento de Arendth não se limita apenas ao passado, mas sim se encontra no próprio século XXI, haja vista que o tráfico humano é uma realidade histórica que ainda assombra o cotidiano dos brasileiros. Logo, é de suma importância analisar as causas e as consequências desse contexto: a exploração colonial e o enfraquecimento da dignidade humana.
De início, Gilberto Freyre - sociólogo -, na obra Casa-Grande e Senzala, descreve o mecanismo de trabalho braçal no Brasil Colônia: os portugueses traficavam africanos para o país com o intuito de os venderem aos senhores de engenho. De maneira análoga, percebe-se que esse tratamento desumano prevalece na sociedade atual, uma vez que diversas empresas exploram funcionários, os quais são submetidos a tarefas equivalentes à escravidão, a exemplo de trocarem a sua hora de serviço por um retorno praticamente inexistente de capital. Assim, enquanto o tráfico humano se mantiver vivo no país, os brasileiros permanecerão vítimas do processo escravocrata do século XVI.
Ademais, em 2012, a emissora TV Globo transmitiu Salve Jorge - telenovela -, cujo tema era o tráfico de brasileiras para a prostituição no exterior. Nesse prisma analítico, apesar de ser uma novela, a obra reflete a realidade de muitas moças e de diversos rapazes, os quais são diariamente forçados a trabalhos de cunho exploratório - principalmente, segundo a Organização das Nações Unidas, a exploração sexual. Dessa forma, é inegável que a maldade humana, expressa por Hannah Arendt, impacta o cotidiano dos brasileiros, já que a dignidade humana é constantemente comercializada à força por meros retornos financeiros.
Portanto, para que o tráfico de pessoas no Brasil deixe de ser uma realidade, o Estado deve romper com os ideais do período Colonial e deve dar lugar à garantia plena dos direitos constitucionais, por meio da criação de um novo órgão governamental que fiscalize as empresas nacionais e o tráfego nas fronteiras do país. Em outras palavras, é preciso que o Estado faça visitas aleatórias em empresas brasileiras e desenvolva um registro sobre as origens profissionais dos cidadãos que transitam nas fronteiras do Brasil. Essa iniciativa teria a finalidade de assegurar a dignidade dos trabalhadores e desenvolver uma estratégia que dificulte o tráfico de pessoas. Feito isso, tanto a maldade humana quanto a fragilidade constitucional deixarão, em breve, de prejudicar a nação Verde e Amarela.