Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 16/11/2021

Em meados do século XVI, com o início da produção açucareira no litoral brasileiro, a colônia portuguesa tornou-se uma das principais rotas do tráfico mundial de negros africanos, nesse caso, para trabalhar como mão-de-obra escrava nos engenhos de açúcar. Apesar de séculos terem se passado desde esse episódio, o Brasil ainda tem participação ativa no comércio ilícito de pessoas. Essa situação perdura até a contemporaneidade graças à presença de um mercado consumidor rentável, e à falta de segurança em regiões vulneráveis ao tráfico humano.

Em primeiro plano, é necessário pontuar que, no contexto capitalista do comércio humano, as pessoas se tornaram uma mercadoria lucrativa. Como foi o caso da marca “Zara”, que foi denunciada por manter em uma de suas fábricas, na região metropolitana de São Paulo, pelo menos 15 funcionários imigrantes em situação te trabalho análogo à escravidão. Assim, escancarando o fato de que enquanto houver demanda por serviços ligados ao tráfico de pessoas, o mesmo não findará.

Em segundo plano, deve ser ressaltada a informação de que, atualmente, o Brasil é um dos principais hotspots mundiais de exportação humana ilegal. Um dos grandes exemplos públicos dessa situação nacional foi na novela “Salve Jorge”, que mostra como uma jovem moradora do Complexo do Alemão foi aliciada e traficada para a Turquia com a finalidade de explorção sexual. Ainda que se trate de uma obra ficcional, ela foi responsável por popularizar o debate sobre a suscetibilidade que os moradores de regiões mais vulneráveis tem ao aliciamento de pessoas, e à inefetividade do Estado em garantir segurança para os mesmos.

Em suma , a perduração do tráfico humano está diretamente ligada à objetificação das pessoas como mercadorias, e à desigualdade social sobre o espaço físico. Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com a Guarda Municipal, garantir a segurança em regiões precárias, por meio de rotas de vigilância noturna, com frequência diária, afim de abrandar as taxas do comércio de pessoas em âmbito nacional. Dessa forma, “caminhando” de forma gradual para o direito pleno à liberdade de todo cidadão brasileiro, ou imigrante.