Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 17/11/2021

A novela “Salve Jorge”, da Globo, conta a história da Morena, uma jovem de 19 anos aliciada para o tráfico humano através de uma falsa proposta de emprego. Apesar da narrativa representada ser fictícia, o terceiro crime internacional mais rentável do mundo possui como um dos seus focos o Brasil, principalmente com o objetivo de servir à exploração sexual. Logo, é urgente combater o tráfico humano a nível nacional, que tem como bases a estrutura patriarcal e os estigmas relacionados ao país.

Em primeira análise, é fundamental levar em conta a influência da estrutura patriarcal no crime. Visto que, para atrair vítimas, os traficantes oferecem justamente o que a vítima precisa ou quer, é comum que o alvo sejam mulheres desapontadas com a não concretização do que as foi prometido em sua socialização. Conforme Simone de Beauvoir afirma em “O Segundo Sexo”, a feminilidade é construída em torno da dependência emocional e financeira, assim como da necessidade de viver um amor romântico. Portanto, os criminosos utilizam de momentos de quebra de expectativas das pessoas a serem aliciadas, somados ao impacto da desigualdade social, para seduzir até a armadilha, oferecendo o amor ideal e a estabilidade econômica, já que, de acordo com a advogada Danny Boggione, esse é o modus operandi dos golpistas. Por isso, para evitar  o tráfico humano, é preciso desenvolver a autonomia feminina perante ao papel que lhe foi concedido.

Em segunda análise, são evidentes os estigmas associados ao Brasil, que também influenciam seu alto número de vítimas de tráfico humano. Segundo a organização “Brasileiras Não Se Calam”, formada por brasileiras que vivem em outros países, a ideia que o restante do mundo tem das mulheres do Brasil gera em torno do mito que são sensuais e exóticas por natureza, o que culmina na fetichização da parcela feminina do país e aumenta sua demanda na exploração sexual. Além do mais, o passaporte brasileiro é cobiçado pelos traficantes, pois permite a circulação sem visto em alguns países e pode ser usado por qualquer um, por conta da variedade étnica do país. Assim, é necessário que sejam estabelecidas medidas de prevenção em território nacional.

Por conseguinte, são nítidas as relações entre o tráfico humano e a situação das mulheres brasileiras. Dessa forma, é função do Poder Público proteger a população do tráfico humano, especialmente as mulheres. Por meio da fiscalização de translados suspeitos, nacionais ou internacionais, casos desse crime hediondo serão evitados. Outrossim, devem ser implementadas medidas de conscientização por parte da população, tanto por meio de campanhas no contexto cotidiano quanto pela internet como canal. Não obstante, é função do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos implementar medidas de empoderamento feminino, não só emocional como também financeiro.