Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 15/04/2022

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na sociedade brasileira, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo tráfico humano é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a omissão social.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa o tráfico de humanos no Brasil. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das “Instituições Zumbis”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, não são feitas fiscalizações suficientes e os traficantes não são punidos adequadamente, o que perpetua o comércio de pessoas. Nessa perspectiva, para a total refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, é igualmente preciso apontar o desleixo do tecido civil como outro fator que contribui para a manutenção do imbróglio. Posto isso, a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito da “Banalidade do Mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados que ignoram problemas que atingem grupos minoritários. Diante de tal exposto, percebe-se que falta os cidadãos terem um olhar mais atento em relação a esse fato e a partir disso, buscar combatê-lo. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, urge que medidas capazes de mitigar a comercialização de humanos sejam tomadas. Dessarte, o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, deve, por meio de maiores investimentos nas forças policiais, efetuar uma fiscalização mais efetiva, a fim de gradativamente, diminuir o tráfico humano. Paralelamente, a população deve cobrar os governantes para que tomem essas atitudes. Espera-se, assim, que o os sentimentos retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.