Tráfico humano em questão no Brasil

Enviada em 06/11/2022

Segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, existe uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a atenção necessária. Nessa lógica, vale a pena destacar a questão do tráfico humano como um dos empecilhos ignorados, visto que, devido à alienação populacional e à negligência estatal, o problema ainda se perpetua na nação tupiniquim. Nesse sentido, é preciso buscar soluções para resolver o revés.

Primordialmente, é nítido que a escassez de informações sustenta uma sociedade alienada. Isso porque se faz presente entre os brasileiros o “Paradoxo da Moral”, conceito criado pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno. Seguindo esse contexto, devido à carência de discussão nos veículos midiáticos acerca de como se prevenir de casos de tráfico humano no território nacional, somada à bolha social causada pelos algoritmos na internet, faz com que a população não identifique e nem combata a problemática, reforçando a falta de criticidade no ideário coletivo. Dessa forma, trazer essa pauta à discussão social é imprescindível.

Outrossim, é fulcral ressaltar que a negligência governamental fomenta a persistência do problema, visto que devido à ausência de políticas públicas voltadas para garantir a segurança da população, criou-se um ambiente propício para a banalização do comércio ilegal de pessoas. De acordo com o filósofo Aristóteles, a base da sociedade é a justiça. No entanto, ainda que exista uma Constituição capaz de assegurar os direitos básicos do indivíduo, percebe-se que tal justiça não é efetivada. Isso pode ser verificado com a impunidade e desrespeito às leis, sobretudo quando o assunto é o tráfico de indivíduos no território brasileiro. Assim, sem a fiscalização e sem apoio dos órgãos públicos, a problemática é instalada e, lamentavelmente, consolidada.

Portanto, cabe às ONGs, entidades sem fins lucrativos, alertarem a população sobre essa problemática, por intermédio de campanhas de mobilização social, para que tal pauta seja discutida pelo público e receba a devida atenção dos governantes. Ademais, o Ministério Público deve fiscalizar a aplicação dos poderes estatais, com a finalidade de alcançar o pleno cumprimento da legislação.