Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 05/06/2026
Na canção “Geni e o Zepelim”, o cantor e compositor brasileiro Chico Buarque conta a história de Geni, uma prostituta transgênero, explicitando os preconceitos e as violências vivenciados por ela em razão de sua identidade de gênero. Ao transpor a obra para a atual conjuntura brasileira, é possível observar que a realidade retratada na canção ainda se faz presente no país, visto que a transfobia e seus impactos na sociedade brasileira constituem uma problemática que não recebe a devida atenção. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e a invisibilidade do tema contribuem para a perpetuação desse cenário.
Em primeiro plano, destaca-se a inoperância governamental como elemento agravante da transfobia. Segundo o geógrafo Milton Santos, em sua obra “As Cidadanias Mutiladas”, a cidadania só se efetiva quando todos os direitos do corpo social são usufruídos de maneira igualitária. No entanto, hodiernamente, observa-se que a passividade do Estado diante das demandas sociais impede que parcelas vulneráveis da população tenham acesso a direitos básicos. Um exemplo disso é a insuficiência de serviços especializados voltados à população trans no Sistema Único de Saúde (SUS), o que dificulta o acesso a tratamentos e acompanhamentos adequados. Tal omissão reforça a marginalização dessa comunidade e contribui para sua exclusão social.
Ademais, a invisibilidade do tema intensifica o problema. Nesse sentido, Djamila Ribeiro afirma que uma questão precisa ser retirada da invisibilidade para ser combatida. Contudo, a discriminação contra pessoas trans ainda é pouco debatida em diversos espaços sociais, o que favorece a naturalização do preconceito e dificulta a criação de medidas eficazes para enfrentá-lo.
Portanto, torna-se imprescindível combater essa adversidade. Para isso, o Estado, por meio do Ministério da Saúde deve ampliar o atendimento especializado à população trans, ofertandod acompanhamento psicológico e médico adequado, com o objetivo de garantir dignidade e acesso à saúde. Além disso, a Grande Mídia deve promover campanhas de conscientização sobre a importância do respeito à diversidade de gênero. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais inclusiva e reduzir os impactos da transfobia.