Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 24/10/2018

Em 1976 acontecia no Brasil a primeira cirurgia de mudança de sexo, como resultado o médico responsável foi processado pelo Ministério Público por mutilação e Waldirene, transexual operada, era submetida a exames vexatórios para comprovar sua feminilidade. Nessa ano o estado de São Paulo acaba de eleger sua primeira deputada transgênera, que entra na política com a difícil tarefa de implementar medidas que combatam a transfobia ao passar invariavelmente por uma ampla difusão do tema e pressionar a criminalização do preconceito contra LGBTs como crime de ódio.

Assim como Waldirene passou por momentos humilhantes na mão de agentes do Estado, se torna cada vez mais comum noticias abordando o preconceito vivido por essa minoria, um exemplo disso é o levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia que mostra que o Brasil é campeão mundial de crimes desse tipo. Esses dados exemplificam uma sociedade ainda muito conservadora que vê na transexualidade uma ameaça pessoal a hegemonia de seus valores morais e costumes.

Além disso, por uma grande parcela da sociedade há a ideia dessa condição como uma doença mental, apesar de sua retirada esse ano da OMS (Organização Mundial da Saúde), vista em muitos casos como contagiosa. Esse cenário induz grupos extremistas á violência, vista por eles, como único meio de defesa do que consideram um Estado “de bem”.

Em suma, a erradicação da transfobia, e dos crimes de ódio, esta intimamente ligada com ampliação da alteridade no brasileiro e para isso o Estado deve junto com o Legislativo aprovar projetos que criminalizem a intolerância contra grupos LGBTs como crimes de ódio, promovendo assim a ideia que essas atitudes são errôneas, deve porém, acontecer simultaneamente a promoção de grupos sociais com formadores de opiniões (televisão, rádio, escola, etc) que discutam esse tema e desconstruam esteriótipos, formando locais em que a população tenha segurança de demonstrar suas especificidades.