Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 27/04/2020
A transfobia não pode ser vista no Brasil, hodiernamente, como um mero imbróglio individual, mas, sim, como uma anomia de ordem social, frente a fatores morais, técnicos e nocivas influências midiáticas. Desse modo, a sociedade vive um caos retrógrado e inercial portanto, é imprescindível a promoção de ações afirmativas a fim de combater tal cenário.
Primordialmente, apesar de a Constituição brasileira garantir os direitos fundamentais da população transexual, ainda não existe uma legislação específica que proteja e criminalize a transfobia. Nesse sentido, o sociólogo Émille Durkhein defendia a ideia de que a sociedade é interdependente, pautada no fato social, e esse pensamente evidencia a necessidade de se adversar a transfobia para um melhor convívio civil. Ademais, é tácito que um dos principais efeitos de visões inferiorizantes relacionados aos transexuais, é a ascensão do discurso de ódio e atos violentos, de modo a implicar na desumanização da sociedade. Por fim, é evidente que tal preconceito limita a ascensão social do país, ao restringir o progresso acadêmico dos transexuais.
Outrossim, a origem da atual massa de discriminação contra transexuais, está na falência de valores e moralidades humanas, mostrando a importância do sistema familiar e jurídico na formação de valores atualmente ausentes. E, esse fenômeno, além de suscitar mazelas psicossociais, como o distanciamento afetivo, incita a nociva influência que a mídia exerce nos indivíduos, ao padronizar costumes. Em suma, vê-se que tal cenário se tornou bastante comum em meio à Nação, caracterizando-se como uma nociva marca de um corpo social pós-moderno, analisado pelo autor José Saramago, em sua obra"Ensaios sobre a cegueira", na qual a cegueira salientada nessa literatura pode ser causada pela barreira de segregação, como a transfobia, existente na sociedade moderna. Logo, a soma desses fatores promove o surgimento de um contexto caótico cuja necessidade de intervenção se faz imediata.
Sob esse prisma de aresta conflituosas, é imperiosa a promoção de ações afirmativas, a fim de um combate efeito contra a transfobia, por meio da sinergia entre os agentes sociais. Para tanto, a mídia, com seu forte poder de persuasão, deve fomentar o pensamento crítico, por meio de ficções engajadas, como minisséries e documentários, com o fito de evidenciar as adversidades causadas pela transfobia. Por fim, cabe a população ativista a transmissão de ensinamentos, por meio de órgãos governamentais, como a rádio “a hora do Brasil”, a fim de fomentar a importância da prudência relativa a população transgênera. Dessarte, percebe-se a relevância de boa estruturação social à resolução da problemática e, por conseguinte, à coesão social proposto por Durkhein.