Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 26/06/2020
Transfobia no Brasil - Violência, marginalização e invisibilidade
Por muito tempo, os conceitos de gênero e sexo foram vistos de maneira agregada, de modo que era esperado pela sociedade que a pessoa tivesse os padrões de comportamento de seu gênero de acordo com seu sexo biológico. Aqueles que não se adequavam a isso eram (e em muitos casos ainda são) vistos de maneira “bizarra” ou “anormal”, sendo marginalizados e invisibilizados. A transfobia no Brasil é permeada por suas raízes históricas, de base patriarcal e machista, atingindo sobretudo as mulheres transexuais.
A transfobia é evidenciada de várias maneiras, principalmente por meio da violência. De acordo com pesquisas de Organizações Não Governamentais (ONGs) nacionais e internacionais, o Brasil continua sendo o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Um caso muito conhecido foi o da transexual Dandara, que foi agredida e assassinada em Fortaleza e as imagens desse crime foram divulgadas na internet. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal criminalizou a homofobia e transfobia, na tentativa de que casos como o dito acima sejam menos frequentes.
Para além da violência física, é possível perceber, por meio de relatos, que o preconceito arraigado na sociedade está presente nas famílias, visto que frequentemente pessoas trans são colocadas para fora de casa, geralmente na adolescência ou início da vida adulta, o que pode levar a um abandono dos estudos e a uma marginalização, aumentando o risco de prostituição, IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), uso de álcool e outras drogas, bem como o de viver em situação de rua. Se tornando assim uma população extremamente vulnerável.
Destarte, é preciso dar maior visibilidade às pessoas trans para que essas não permaneçam no risco de vulnerabilidade. Para tal, o Governo Federal em parceria com ONGs voltadas para o acolhimento de pessoas transgêneros podem investir em um programa de suporte psicossocial, com amparo físico, emocional e psicológico, além de cursos de diversas áreas, como beleza, corte/costura e idiomas, que possibilitem uma nova perspectiva de inserção no mercado de trabalho. Possibilitando assim uma maior visibilidade a uma população que aos olhos de muitos da sociedade são imperceptíveis.