Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 15/08/2020
Na obra cinematográfica, “A garota dinamarquesa”, é retratada a história verídica da transição tardia de um artista, na Europa de 1920, por um viés romantizado. No entanto, mesmo com o passar do tempo, a não identificação com o gênero biológico permaneceu pouco debatida, o que restringiu os plenos direitos e a aceitação desse grupo na sociedade. Diante disso, valida-se a discussão acerca do preconceito estrutural que afeta os transexuais, acarretando no elevado número de casos de transfobia no Brasil.
Em primeira análise, o preconceito estrutural é um dos principais contribuintes que afetam a dignidade das pessoas trans que, isto posto, reforçam as ações transfóbicas no país. Nessa perspectiva, segunda a Associação Nacional das Travestis e Transexuais (Antra), esse grupo é raramente representado em universidades e em empregos formais devido à alta evasão escolar e a discriminação – indicativo da marginalização desses indivíduos –. Em vista disso, fica explícito que o preconceito estrutural é determinante para a permanência do desrespeito e transfobia no Brasil, haja vista a dificuldade de integração nos principais âmbitos sociais.
A posteriori, em consequência do preconceito enraizado que afeta a integração plena da população transexual, os casos de violência direcionada permanece intensa. Nesse ínterim, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida das pessoas trans não ultrapassa os 37 anos devido ao número de assassinatos, enquanto a expectativa dos não transexuais é de quase 77 anos. Destarte, o problema da transfobia é amplamente reforçado na sociedade brasileira, evidenciada não só pelo grau de violência que afeta esses indivíduos, mas pela dificuldade de integração cidadã, como o acesso à educação e ao trabalho formal.
Depreende-se, portanto, que o fim da transfobia apresenta entraves que precisam ser sanados. Assim, é fundamental que o Poder Público, em parceria com empresas privadas e por meio de subsídio financeiro, proponha a criação de projetos integradores voltados à população transexual, capaz de oferecer formação escolar fundamental, média e profissionalizante, com possibilidade de ascensão nas empresas parceiras, além de uma rede de atendimento por telefone e virtual especializados nas delegacias para atender a esse público. Tal medida aparece com o intuito de erradicar a transfobia no Brasil por meio da ampla integração social e facilitar o atendimento de proteção especializada em crimes contra a população trans.