Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 21/07/2020

Segundo o sociólogo francês Durkheim, um fato social é coercitivo, generalizado e exterior aos indivíduos. Seguindo o raciocínio de Durkheim, o estereótipo do gênero é um fato social, já que envolve padrões estipulados pela sociedade que determinam como um homem ou mulher deve se comportar, agir ou mesmo se vestir. Contudo, sabendo que estereótipo é imposto, pessoas que não se sentem representadas pelas características atribuidas ao sexo biológico são vítimas de preconceito pela família, amigos e mercado de trabalho, o que faz com que muitos transsexuais apenas consigam renda na prostituição. Dessa forma, sendo a transfobia um impasse na vida de pessoas que convivem com o preconceito e a violência ,há necessidade do debate visando a desconstrução.

Desde cedo é ensinado às crianças que devem se comportar de acordo com seu gênero biológico. Entretanto, esses padrões são construções sociais e não características instintivas do gênero, dessa forma, pessoas que não se sentem representadas pelas atribuições do gênero biológico são vítimas do preconceito. Em uma matéria da BBC, uma família relatou ter sido denunciada por estimular o filho a usar roupas femininas e agir com uma garota. O pai da criança alegou que esta gosta de se vestir como uma garota desde os três anos, o que o fez aceitar e apoiar a decisão. Mesmo que a família apoie, a criança sofre bullying na escola e na vizinhança.

A não compreensão da transsexualidade pela família e amigos faz que muitos se tornem vítimas de violência. De acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de transsexuais. A transfobia faz com que a estimativa de vida dessas pessoas seja de 35 anos, enquanto a dos demais ultrapassa os 75, segundo a União Nacional LGBT. Amara Moira, professora e escritora relata em seu livro “E Se Eu Fosse Puta” a vida de transsexuais que, após serem recusados pelo mercado de trabalho e família, encontram na prostituição- que hoje “emprega” cerca de 90% dos transsexuais do Brasil, segundo a Associação Nacional de Transsexuais- a única forma de conseguir dinheiro e sestar perto pessoas que entendem pelo que estão passando.

Dessa maneira, compreender que a escolha do gênero é uma imposição social é necessário para alterar a problemática. É dever do Ministério da Educação instituir o debate sobre gêneros desde o ensino fundamental nas escolas, através da inserção do conteúdo na Base Comum Curricular. Apenas com o debate desde a infância, tanto transsexuais quanto héteros, gays e bissexuais poderão entender e conhecer melhor a si mesmos e aos outros, além de desconstruir o pensanmento preconceituoso, pois, conforme Gabriel, O Pensador, “Na mudança do presente a gente molda o futuro.”