Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 12/11/2020

A série americana Pose relata a rotina da mulher transexual Blanca em sua casa de acolhimento para pessoas da comunidade LGBTQIA+; ao longo dos episódios, acompanha-se a ascensão dos bailes luxuosos de Nova Iorque e o enorme preconceito enfrentado pela comunidade. No Brasil, a discriminação contra a diversidade sexual é rotina diária na vida dos que a enfrentam. Tendo isto em mente, é preciso que a problemática seja revertida através de maiores políticas de inclusão às pessoas transexuais e por meio de uma maior valorização de abrigos como o de Blanca.

Em primeiro lugar, é importante que a enorme transfobia brasileira seja colocada em pauta. Segundo  pesquisas realizadas pela organização não governamental Transgender Europe, o Brasil é o país líder em assassinatos de pessoas trans — a Associação Nacional de Travestis e Transexuais revelou que, somente em 2019, 124 transgêneros foram assassinados no país —. Assim, entende-se de forma profunda uma das letras da artista brasileira Urias: “todo dia morre mais uma das minhas, espero que isso mude”; na contemporaneidade, pessoas que não se identificam com o gênero biológico andam todos os dias com medo e receio de serem brutalmente mortas pela sociedade transfóbica.

Em segunda instância, faz-se necessário debater a respeito da vida e dificuldades enfrentadas por estas pessoas. No filme brasileiro Alice Júnior, narra-se a vida da adolescente transexual que acaba se mudando para o Paraná e as dificuldades encontradas pela mesma em busca de maior inclusão numa situação de  extrema vulnerabilidade. Posto isto, percebe-se a importância das casas de acolhimento; no Brasil, a Casa Florescer — na cidade de São Paulo — auxilia mulheres transexuais e travestis em questão de vulnerabilidade social, fornecendo-lhes, além de abrigo, atendimento psicológico.

Por conclusão, políticas de inclusão são de extrema importância para a amenização do quadro atual. Visando a real igualdade de gênero, urge que o governo federal, através de maiores investimentos, auxilie as diversas casas de acolhimento brasileiras. Ademais, cabe ao legislativo — por meio de multas e prisões — a verdadeira aplicação de leis voltadas à proteção de transexuais; desta maneira, a comunidade poderá viver de forma tranquila e respeitosa, sem as constantes ameaças enfrentadas. Somente assim o medo deixará de existir, a equidade surgirá e o Brasil perderá a primeira posição na lista de assassinatos cometidos contra transexuais.