Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 01/12/2020
Em seu livro “Utopia”, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne à transfobia, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que potencialmente minimizariam os crimes contra as minorias sexuais em escala nacional. Em vista disso, faz-se mister desvendar as origens e analisar as consequências dessa problemática, a fim de mitigá-la.
Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem como função preservar o bem-estar social entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que assegurem o pleno exercício da liberdade sexual e de gênero no território nacional permite que a transfobia seja uma realidade contundente no país. Assim sendo, é possível inferir que, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.
Além disso, as repercussões desse imbróglio são incontestáveis. Nesse sentido, convém salientar que a transfobia está diretamente relacionada ao assassinato de transexuais e de travestis, fenômeno que está em desacordo com os preceitos da Carta Magna brasileira. Conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito ao bem-estar social e à vida, o que, infelizmente, destoa da realidade do país, uma vez que o Brasil é o campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais. Dessa maneira, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse problema, de modo a cumprir a Lei Maior.
Finalmente, para mitigar a transfobia, o Estado, em parceria com as prefeituras municipais, deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado Discriminação Zero, tendo como objetivo a fiscalização de espaços públicos - como praças, jardins e parques -, assegurando a segurança da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), bem como garantindo a liberdade sexual e de gênero em escala nacional. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida, assim como ocorre no ideal de More.