Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 13/12/2020

Barão de Tararé, um dos criadores do jornalismo alternativo durante o período da ditadura no país, estava certo ao dizer: “O Brasil é feito por nós, só falta desatar os nós”. Nesse sentido, o preconceito contra os transexuais se apresenta como um dos nós a serem desatados. Contudo, fatores como a impunidade dos agressores e a lacuna educacional acerca dos tipos de gêneros, colaboram para que a transfobia persista na sociedade brasileira.

Diante desse cenário, urge pautar que a insuficiência legislativa referente à transfobia alimenta a prática dos atos discriminatórios. Nesse viés, os trans fazem parte do grupo LGBT e representam a letra “T”, estes são vítimas frequentes de violência psicológica e física de familiares, conhecidos e desconhecidos. Essa circunstância pode ser confirmada com um dado divulgado pelo site Politize, em 2017, no qual relata que a cada 20 horas um(a) LGBT morre no Brasil por ser LGBT. Dessa maneira, é evidente que essa classe deve ser protegida, já que os altos índices de agressões precisam ser combatidos, só assim teremos equidade social.

Ademais, é válido salientar que a escassez de conhecimento dos brasileiros sobre os tipos de gênero impulsiona os atos transfóbicos no Brasil. A esse respeito, o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman afirma que em uma sociedade líquida, as relações são superficiais e as pessoas tendem a ser individualistas. Desse modo, é incoerente que os cidadãos não tenham amparo educacional, pois o preconceito surge ao desumanizar o outro, ato que em uma sociedade egoísta ganha destaque. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar no país.

Portanto, para que as gerações futuras pensem e zelem pelo próximo, medidas devem ser tomadas. Para isso, o Governo Federal deve, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, iniciar uma ação de segurança pública, baseada em um disk denúncia contra atos transfóbicos, este terá uma abordagem diferenciada e será feita por profissionais treinados para ocorrências contra os LGBT, a fim de punir os agressores e conceder tratamento psicológico às vítimas. Além disso, o Ministério da Educação deve disseminar por intermédio dos veículos midiáticos uma campanha, estimulando as escolas a realizarem dinâmicas e debates sobre a transfobia e como ela pode causar danos ao outro. Com isso, espera-se uma sociedade mais humana e empática.