Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 31/12/2020
Define-se como transfobia uma gama de atitudes, sentimentos ou ações negativas, discriminatórias ou preconceituosas contra pessoas transgênero, ou pessoas percebidas como tal. A transfobia pode ser repulsa emocional, medo, violência, raiva ou desconforto, sentidos ou expressos, em relação a pessoas transgêneras. Dessa forma, na transfobia em debate no Brasil, entende-se que a lgbtfobia, tal qual a violência, são entraves para a resolução da problemática.
Deve-se destacar, de início, o preconceito como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, no filme “Alice júnior”, a adolescente precisa mudar de estado, indo estudar em um colégio religioso e conservador, no qual a diretora a impede de usar o banheiro feminino, a obriga a usar uniformes masculinos e se recusa a chamá-la pelo seu nome social. Além disso, seus colegas de classe a ridicularizavam com olhares, exclusões, comentários, vídeos e apelidos. Apesar do preconceito evidente, a protagonista representa a excessão por ter apoio familiar e estar utilizando seu direito à educação, pois, de acordo com a Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil, estima-se que o país concentra 82% de evasão escolar de travestis e transexuais, uma situação causada pela lgbtfobia, como a vivenciada por Alice, que aumenta a vulnerabilidade dessa população, o que favorece os altos índices de violência (crimes de ódio).
Ademais, causada pelo preconceito e facilitada pela vulnerabilidade social, educacional e econômica que esse corrobora para a comunidade trans, a violência é um grande obstáculo. Em 2017, segundo o G1, Dandara foi assassinada a tiros após agressões, que foram filmadas. Casos como o dela não são raros, já que conforme estudos da ONG Transgender Europe, o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, com uma média de 11 pessoas trans assassinadas por dia e 868 travestis e transexuais mortos nos últimos oito anos. Dessa forma, percebe-se como a violência social e educacional, causada pelo preconceito, corrobora com algo ainda mais grave, a violência física que pode resultar na morte dessa população, simplesmente, por viver como se identificam.
Portanto, a transfobia em debate no Brasil é causada pelo preconceito aliado à violência que, como resultado, cria exclusão, violência em variados âmbitos e a morte desses indivíduos. Destarte, o Ministério da Educação, responsável pelos assuntos relacionados à educação no território nacional, deve promover palestras com pedagogos, advogados e psicólogos, por meio de auxílios do Tribunal de Contas da União, para falar sobre a comunidade trans e os riscos que a lgbtfobia pode causar às suas vidas, a fim de erradicar o preconceito, como o sofrido por Alice, a exclusão e a violência a essa parte da população.