Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 04/01/2021

Define-se como transfobia uma gama de sentimentos ou ações discriminatórias (repulsa emocional,  medo, violência, raiva ou desconforto) contra pessoas transgêneras ou pessoas percebidas como tal. Logo, na transfobia (algo extremamente problemático) em debate no Brasil, entende-se que a lgbtfobia, tal qual a violência, são entraves para a superação desse obstáculo.

Deve-se destacar, de início, o preconceito como um dos complicadores do problema. Da mesma forma, no filme “Alice Júnior”, a adolescente precisa mudar de estado, indo estudar em um colégio religioso e conservador, no qual a diretora a impede de usar o banheiro feminino, a obriga a usar uniformes masculinos e se recusa a chamá-la pelo seu nome social. Além disso, seus colegas de classe a ridicularizam com olhares, exclusões, comentários e apelidos. Todos esses elementos corroboram a evasão escolar de transexuais (que, de acordo com a Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil, estima-se uma média de 82%), pois um direito básico se torna inviável pelo preconceito e pelas agressões diárias, o que aumenta a vulnerabilidade dessa população, já que, ao ocuparem poucos espaços de poder, como a política ou judiciário, poucas pautas sobre esse assunto serão levantadas, principalmente sem transfobia.

Ademais, a violência, causada pelo preconceito e facilitada pela vulnerabilidade social, educacional e econômica que esse consolida para a comunidade trans, é um grande obstáculo. Em 2017, segundo o G1, Dandara foi assassinada a tiros após agressões que foram filmadas. Casos como o dela não são raros, já que, conforme estudos da ONG Transgender Europe, o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, com uma média de 11 pessoas trans assassinadas por dia e 868 mortos nos últimos oito anos. Dessa forma, percebe-se como a violência social e educacional causada pelo preconceito consolida algo ainda mais grave: a violência física, que pode resultar na morte dessa população, simplesmente por viver como se identificam.

Portanto, a transfobia em debate no Brasil é causada pelo preconceito, aliado à violência, que, como resultado, cria exclusão, violência em variados âmbitos e a morte desse indivíduos. Destarte, o Ministério da Educação, responsável pelos assuntos relacionados à educação e à melhora dessa no território nacional, deve promover palestras, por meio do Tribunal de Contas da União, com pedagogos, advogados e psicólogos, para falar sobre a comunidade trans e os riscos que a lgbtfobia pode causar às suas vidas, a fim de erradicar o preconceito, como o sofrido por Alice, a exclusão e a violência  a essa parte da população, para construir, assim, um Brasil mais igualitário.