Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 19/03/2021

Os jornalistas Renata Ceribelli e Bruno Della Latta lançaram recentemente o livro “Trans - Histórias reais que ajudam a entender a vida das pessoas transexuais desde a infância”. A obra foi baseada na série “Quem sou eu?” do Fantástico, e nela os jornalistas revisitam os entrevistados da reportagem e também reúnem relatos inéditos daqueles que frequentemente são silenciados e discriminados no dia a dia. Discriminações essas que ocorrem não somente fora de casa, mas também dentro da própria família desses indivíduos e que precisam ser postas em debate. É preciso se discutir o porquê de o nosso país ser campeão mundial de crime contra as minorias sexuais e o porquê de não existirem leis mais severas protegendo essa população.

Em primeiro lugar, é importante evidenciar alguns dados referentes à crimes contra essas pessoas: segundo o site “Homofobia mata”, só no ano de 2016 foram contabilizadas 343 mortes LGBT, um aumento assustador, já que no ano de 2000, foram registradas 130 mortes. Tais dados, no entanto, podem ser ainda maiores, já que de acordo com o site, no Brasil não existem estatísticas oficiais, diferentemente do que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos.  É aterrorizante pensar que todos os dias alguém é assassinado motivado pelo ódio e preconceito de pessoas que não aceitam a diversidade sexual humana.

Além disso, muitos desses crimes de ódio ocorrem pela falta de leis mais severas, é inadmissível que criminosos sejam libertados ou tenham penas brandas diante de tais crimes. Por isso, é preciso que se criem projetos de leis objetivando proteger essa população. Nas eleições do ano passado, por exemplo, houve uma vitória nas urnas, já que foi recorde o número de transexuais eleitas Brasil afora, trazendo esperança de que dias melhores virão.

Portanto, visando solucionar tais impasses, é preciso que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, dê a importância merecida à transfobia, visto que  os números de crimes são alarmantes. Um possível caminho, seria a inserção do debate das questões de gênero nos espaços escolares, visando conscientizar os estudantes, disseminando informações contundentes através de profissionais como psicólogos e médicos. É preciso por fim nessa brutalidade que ocorre em nossa sociedade, e isso só ocorrerá com a educação, com o entendimento das pessoas, de que aquilo que é diferente não deve ser visto com maus olhos, mas com respeito.