Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 01/04/2021
Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nessa perspectiva, um histórico de imposições religiosas, ampliado pela perpetuação de uma conduta conformista, construiu um cenário que confina o sentido da identidade de gênero à crenças pessoais. Dessa forma, criando um dilema sociocultural que exige a desconstrução de ideologias e posturas primitivas.
Em primeiro lugar, cabe destacar o estigma social relacionado a transfobia consequente da gênese da sociedade brasileira, marcada por imposições religiosas. O processo de colonização do Brasil foi financiado pelos interesses da Igreja Católica na busca por novos fiéis. Esse processo aconteceu mediante a imposição da crença europeia sobre a local, assim, a sociedade brasileira desenvolveu-se baseada na condenação da multiplicidade de gênero. Dessa forma, em paralelo com o estudo de Durkheim sobre o imperativo do coletivo sobre o indivíduo, é evidente que essa situação apresenta uma conotação histórica.
Em adição, deve-se considerar também o impacto de uma postura conformista na perpetuação de ideias primitivas. Monteiro Lobato, por intermédio do seu personagem Jeca Tatu em o último conto de “Urupês”, traçou a índole brasileira como corruta e cômoda. Essa postura, estendida até os dias atuais, estrutura um sistema propício a amenizar a carga de responsabilidade e salientar o descompromisso, refletido na inércia relacionada à aceitação da multiplicidade de representação de gênero. Logo, demonstrando que a doutrinação de dogmas pessoais priva o grupo transexual da proteção, segurança e liberdade garantidos por lei.
Toda essa questão exibe, portanto, que a doutrinação do ódio historicamente utilizada sobre o pretexto de liberdade pessoal representa um desrespeito a coesão democrática. Nesse sentindo, faz-se evidente a necessidade de projetos que busquem a desmarginalização do grupo transgênico no Brasil. Assim, é importante que o Ministério da Educação introduza palestras, debates e atividades desse o ensino primário na matriz escolar obrigatória que abordem a diversidade e individualidade de cada corpo e pessoa. Isso deve ser promovido com o apoio setores, começando com professores, estendendo a psicólogos e incluindo também os pais, que devem receber instruções desse processo. Dessa forma, buscando romper com noções estigmatizadas decorrentes dos preconceitos, fortalecendo comportamentos respeitosos e ações inclusivas.