Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 22/06/2021

A série “Orange Is The New Black”, produzida pela Netflix, aborda a vida de mulheres privadas de liberdade nos Estados Unidos. Na narrativa, é exposta a vida de Sofia, uma cabeleireira transsexual que, entre diversas dificuldades, enfrenta a transfobia por parte de suas colegas carcerárias. Fora da ficção, a transfobia faz parte de uma cruel realidade no Brasil, em virtude do silenciamento social e da má influência legislativa. Diante desse cenário, faz-se imperiosa a análise dessa problemática.

Em primeira análise, vale destacar o “Contrato Social”, de Durkheim, uma tese que afirma que a sociedade mantém normas sociais para um convívio harmônico. Em contraste, no que tange a transfobia, vale ressaltar que essas normas são violadas cotidianamente, em razão do silenciamento do assunto que, por conseguinte, forma um meio social desinformado, intolerante com as diferenças e, por muitas vezes, violento. Logo, é evidente a importância da disseminação de informações sobre o preconceito, uma vez que prejudica a qualidade de vida dos transsexuais.

Atualmente, pessoas trans, além de julgamentos, encontram dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, em virtude do preconceito no meio empresarial. Entretanto, essa injustiça não é julgada de forma igualitária, pois determina penas leves e ineficientes, sendo possível apontar a ineficácia da legislação brasileira como impulsionadora do impasse, em razão da ausências de leis direcionadas para essa parcela da população, que carece de políticas inclusivas.

Depreende-se, portanto, medidas que combatam essa problemática. Cabe ao Congresso Nacional a elaboração de normas que estipulem que uma porcentargem dos funcionários de grandes empresas sejam transsexuais em troca de benefícios fiscais, de modo inclusivo e justo, a fim de tornar o mercado de trabalho mais diverso e receptivo. Ademais, o MEC deve estimular palestras nas instituições de ensino, em parceria com psicológos e sociólogos especialistas no assunto, a fim de conscientizar a população e combater a desinformação. Com isso, a comunidade trans terá mais oportunidades e uma maior qualidade de vida, de modo que a transfobia vivida por Sofia exista somente em obras fictícias.