Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 28/06/2021
De 1994, em um dos episódios da série “Emergency room”, a personagem srta. Charleston, após desabafar sobre a sua difícil vida como travesti e ser tratada com discriminação pelo próprio dr. Carter, suicida-se ao pular do topo do hospital, com o objetivo de aliviar o seu sofrimento. De maneira análoga, apesar de décadas terem se passado, todos os dias, situações similares a essa acontecem no Brasil inteiro. Nesse sentido, em razão de uma educação deficitária e de uma má influência midiática, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemente.
Diante desse cenário, vale destacar que a baixa qualidade da educação nacional vai de encontro a uma sociedade livre de tabus. Nesse viés, consoante Immanuel Kant — filósofo pós-moderno —, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à transfobia no país, verifica-se que as instituições de ensino não cumprem o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que elas não apresentam esse conteúdo nas salas de aula, o que permite a perpetuação do preconceito entre os mais novos. Assim, um possível caminho para se combater a intolerância contra as minorias é usar o fundamento de Kant: fazer o indivíduo crescer intelectualmente a partir de um ensino de rigor, o qual seja inclusivo e que preze pelo respeito mútuo.
Ademais, é importante salientar que a forma como uma parcela da mídia apresenta as minorias ao povo é outro forte motivo para a proliferação do preconceito. Sob esse ângulo, conforme a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. A esse respeito, ao se observar alguns conteúdos presentes nos veículos de informação, percebe-se que a aversão às diferenças é algo bastante forte, visto que, por exemplo, o apresentador Sikeira Junior, em seu próprio programa, teve total liberdade — e público defensor — para chamar a comunidade LGBT de “raça desgraçada”. Diante disso, é bastante evidente o quanto as transexuais e travestis podem sofrer, uma vez que é intrínseco o ódio enraizado na nação. Logo, a manutenção de um pensamento arcaico respresenta um grave retrocesso e causa um dos mais graves problemas ao Brasil: a banalidade do mal.
Infere-se, portanto, que o Ministério da educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, adicione uma nova matéria na grade escolar, a qual aborde sobre a importância do respeito para se viver em sociedade, com o intuito de tornar as novas gerações mais inclusivas e empáticas. Por sua vez, a Rede Globo deve criar um programa, o qual convide o povo a conhecer histórias de outros seres humanos que sofrem com a discriminação, por intermédio de histórias reais, a fim de tornar apenas ficção a situação que a srta Charleston passou. Dessa forma, espera-se frear a transfobia no Brasil.