Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 31/08/2021
“O mais escandalosos dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa frase, da filósofa e feminista Simone de Beauvoir, pode facilmente ser associada ao cenário nacional hodierno, haja vista a falta de atitudes que combatam a transfobia no Brasil. Essa alarmante situação deriva do preconceito enraizado na sociedade e afeta a saúde geral das vítimas dessa mazela social. Dessa maneira, é imprescindível analisar o problema e suas origens para que ele seja solucionado com eficácia e rapidez.
Em primeira análise, é notório que a cultura discriminatória contra transgêneros que permeia a comunidade brasileira corrobora para a manuntenção desse impasse. Diante disso, de acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, “o homem é produto do meio em que vive”. Nessa lógica, por estarem inseridos em um ambiente no qual existe um prejulgamento de pessoas transexuais, as pessoas, especialmente os jovens, tornam-se mais suscetíveis a terem essa mesma mentalidade inadequada, o que, por conseguinte, gera um aumento no número de cidadãos com visões preconceituosas, intensificando ainda mais a transfobia e dificultando a sua erradicação. Desse modo, torna-se evidente a grande influência que o pensamento coletivo pode exercer sobre o individual.
Ademais, é axiomático que o preconceito gera grandes prejuízos na saúde geral das vítimas. Com isso em mente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doenças. Nesse sentido, é indubitável que a intensa discriminação aumenta as chances de as pessoas transgêneros desenvolverem problemas psicológicos, o que rompe com o equilíbrio defendido pela OMS e, como consequência, afeta a saúde geral desses indivíduos, diminuindo drasticamente a sua qualidade de vida. Dessa forma, nota-se os impactos negativos que o prejulgamento pode ter em diversos aspectos da vida de uma pessoa.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessária a adoção de medidas que venham a combater a transfobia no Brasil. Portanto, cabe ao Ministério da Educação desconstruir essa cultura internalizada na comunidade, por meio da implementação de uma nova matéria na grade curricular nacional, a qual será lecionada por sociólogos e ensinará as crianças e jovens a serem respeitosos com todos, independemente de suas diferenças e peculiaridades. Outrossim, é mister que o próprio Ministério da Educação crie campanhas publicitárias na televisão, as quais serão veiculadas nos horários de maior audiência e provocarão uma reflexão nos espectadores, visando uma mudança comportamental, Ao fazer isso, espera-se ter uma sociedade mais humana, respeitosa e altruísta, fazendo com que a frase de Simone de Beauvoir não se relacione com a realidade vivida no país.