Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 22/09/2025

No filme “A garota Dinamarquesa” o protagonista identifica-se ao gênero feminino, após o decorrer do longa o personagem realiza a cirurgia de designação sexual tornando-se uma mulher trans. Análogo a ficção, inúmeros brasileiros não identificam-se com o gênero que lhes foram atribuídos no nascimento, entretanto uma parcela da sociedade discrimina esses indivíduos, uma vez que as mídias sociais influenciam na difusão do preconceito e do ódio, além de que há um vácuo na ocupação de espaços de poder por pessoas transexuais.

Em primeiro lugar, é importante destacar a divulgação de discursos transfóbicos nas redes sociais. Nesse sentido, o estigma social vinculado a pessoas trans tem palco em diversos canais de comunicação em que o compartilhamento de falas difamatórias ganham espaço e a desumanização é a protagonista desse cenário. Nesse contexto, historicamente, no Brasil, as comunicações midiáticas disseminam preconceitos, como ocorreu na década de 80, no qual o surto de HIV no país foi caracterizado como “a peste gay” difundindo, dessa maneira, a desinformação e a aversão à grupos minoritários. Dessa forma, é evidente que as redes virtuais intensificam o compartilhamento de sentimentos de ódio a tudo que se revela diferente do padrão estabelecido socialmente.

Em segundo lugar, é notório enfatizar a ausência de pessoas transgenero nas representações políticas no Brasil. Diante desse cenário, há no Congresso e no Senado brasileiro um hiato quanto as ocupações das cadeiras por pessoas trans, visto que atualmente somente duas representantes, deputadas federais Erika Hilton e Duda Salabert, são mulheres transexuais. Tal reduzida representatividade contribui negativamente nas limitações quanto às aprovações de medidas que promovam a segurança e a proteção do Estado para a comunidade trans.

Portanto, para mitigar os efeitos da transfobia no Brasil, urge o Congresso Nacional atuar em ações efetivas que visam reduzir a violência moral e física, e promover o protagonismo político de indivíduos transgenero, por meio de um projeto de lei que defina uma cota para parlamentares transexuais na ocupação do poder legislativo. A fim de fornecer aparato institucional para a garantia de uma amplitude de representação político-social ativa por pessoas trans.