Uso de maconha no Brasil: proibir ou legalizar?

Enviada em 25/11/2020

Em “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas, na qual o povo trabalha em conjunto para superar todos os impasses. Fora da ilustre produção literária, nota-se o oposto dos ideais de Platão, uma vez que existem números ilegais de consumo da maconha no Brasil mesmo sendo proibido. Nesse prisma, dois aspectos importantes se destacam: a descentralização do poder do tráfico na legalização e a utilização da maconha no campo da ciência.

Sob um primeiro viés, convém ressaltar que o problema é pouco debatido. De acordo com o filósofo Johann Goethe, “Nada no mundo é mais assunto que a ignorância em ação”. Nesse sentido, é de extrema importância que a sociedade busque se informar e debater a respeito da legalização da maconha e seus prós e contras. Consequentemente, baseando-se nas experiências de países nos quais a maconha é legal como na Holanda, observamos uma perda de poder do tráfico, visto que não se precisa mais recorrer a meios ilícitos para conseguir a planta; tal ação descentraliza o poder do tráfico no país e enfraquece a rede criminosa, por isso a importância de debater sobre o assunto, visto que sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é quase utópica. Dessa maneira, é visível que a ignorância humana em não expor o problema em sociedade compromete a solução da problemática.

A princípio, a má influência midiática promove a existência desse problema. Em “Admirável Mundo Novo”, do escritor Aldous Huxley, é retratada uma sociedade com suas ideias totalmente manipuladas por meio da repetição diária e exaustiva da mesma informação. Assim, surge uma comunidade totalmente condicionada a acreditar em informações sem levantar qualquer questionamento crítico acerca do mundo ao seu redor. Hodiernamente, no Brasil, cenário semelhante se constrói à medida que, com programas diários, a ideia que é passada por programas conservadores é de que a maconha serve somente para uso recreativo, sem nenhum beneficio a quem consome; o fato é que pode-se utiliza-la em diversos tipos de antibióticos e remédios, tendo sua eficiência comprovada segundo National Institutes of Health (Instituto Nacional da Saúde) em suas pesquisas. Mas a opinião do comentarista da televisão aberta se torna “fato” para o povo em geral, que passa a repetir a opinião sem qualquer tipo de análise, criando, assim, um senso comum pobre, sem levantamento crítico, ético ou moral.

Portanto, ações são necessárias para atenuar essa questão. Destarte, o Governo, como instância máxima da administração executiva, junto a empresas midiáticas privadas, deve viabilizar, por meio de verbas públicas, um conjunto de propagandas, em horários nobres, que informe sobre os benefícios e malefícios da maconha, com o fito de conscientizar a população relativa dos impactos dessa questão.