Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 04/11/2025
O Mito da Caverna, de Platão, é uma alegoria que diz que as pessoas preferem acreditar em uma mentira confortável a viver a realidade. Em paralelo a isso, tal contradição encontra-se presente no Brasil contemporâneo no que tange à dependência tecnológica, haja visto o número crescente de usuários de Internet cronicamente online. Desse modo, cabe analisar tal vício às máquinas, influenciado pela priorização de interesses econômicos e o individualismo.
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar a influência dos valores da sociedade neoliberal que se formou no país. De acordo com o pensador coreano Byung-Chul Han, no neoliberalismo, o sujeito impõe a si mesmo a obrigação de ser produtivo, otimizado e bem-sucedido, sob a pena de ser considerado falho pelos demais. Nesse contexto, a ideia do autor se expressa, quanto à digitalidade, no uso excessivo de telas como forma de manter-se conectado para receber e comentar atualizações, seja do trabalho seja das redes sociais, e até postar conteúdo para exibir orgulhosamente o estilo de vida. Dessa forma, a sociedade individualista cultiva uma performance aparente ao invés de valorizar um viver saudável.
Em adição, é imperioso discutir o efeito do modelo econômico vingente na problemática. Segundo a filósofa Rosa Luxemburgo, em A Acumulação do Capital, o capitalismo, para manter a geração de lucro, depende de sua expansão contínua, submetendo espaços e populações à sua lógica de economia. Nesse viés, esse mecanismo se revela, no vício em tecnologia, no implementação de algoritmos, por parte das redes sociais, para prender a atenção das pessoas o máximo possível. Tal técnica, além de trazer prejuízos ao indivíduo (por causa da falta de tempo), danifica o tecido social, ao usar a desinformação e o ódio como fonte de foco.
Portanto, o Governo Federal, por meio de decreto, deve criar o feriado nacional “Dia de Não-Uso de Telas”, de um dia, em que se recomenda à população evitar telas e realizar atividades sociais presencialmente, como sair com os amigos e família. Tal iniciativa deve acompanhar a aprovação, pelo Congresso, de uma lei que obriga as grandes plataformas, como Meta e X, a avisarem os usuários sobre o tempo de uso e a passarem por auditoria para assegurar o combate à desinformação e ao discurso de ódio, a fim de minimizar o vício em telas no Brasil.