Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 29/10/2019
Na época do regime militar, Raul Seixas lança Ouro de Tolo que debocha do consumismo, da década de 70, como forma de realização de vida. Nesse cenário, é curioso ver como a sociedade avançou na tecnologia e, que além de continuar o alto consumo, há uma forte necessidade de dominá-la, o que pode gerar um afastamento social do indivíduo.
Primeiramente, a questão de ser dependente das máquinas é uma realidade para a sobrevivência no mercado de trabalho. Nisso, é preciso entender que existe uma Divisão Internacional do Trabalho (DIT) que, de acordo com o geógrafo brasileiro Milton Santos, favorece um consumo intenso de tecnologias em países subdesenvolvidos fazendo com que os profissionais se atualizem para não ficarem de fora. Com isso, o sociólogo polonês Sygmunt Bauman, na sua obra Modernidade Líquida, explica que a contemporaneidade está marcada pela instabilidade de emprego e individualização profissional, o que gera uma competitividade para estar por dentro das novidades tecnológicas deixando o ser humano obcecado para se aprimorar.
Em segundo lugar, é fundamental que a situação de empregabilidade não afete a saúde mental tanto dos que trabalham quanto dos que nasceram na atmosfera das máquinas. Para ilustrar essa situação, o livro Minha Vida de Menina, de Helena Morley, retrata os relatos de uma jovem no seu cotidiano que tinha gosto por trabalhar pesado para ajudar sua mãe, porque ela valorizava sua família e tinha um espírito de coletividade que a fazia ser sociável. Portanto, é importante se atentar para que a humanidade não deixe a individualidade se se sobrepor nas relações sociais, pelo fato do ser humano ser naturalmente sociável: indispensável para ser emocionalmente feliz.
Em suma, a dinâmica do mercado de trabalho não pode ser fator que modifique significativamente a interação social. Assim sendo, as empresas do setor privado devem promover ações publicitárias de cunho reflexivo sobre o poder que o desenvolvimento tecnológico tem nas relações interpessoais destacando a influência da família e dos amigos para uma vida mental saudável, tudo para que o homem não seja tão dependente das máquinas. No mais, espera-se que a sociedade se conscientize e viva uma vida parecida como a da Helena, para que se tenha uma verdadeira realização de vida.