Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 13/01/2020
O drama “Ela”, produção cinematográfica de Hollywood, discorre sobre o romance distópico de Theodore, escritor solitário, com Samatha, seu sistema operacional. No entanto, a despeito da dependência exemplificada pela obra, o uso intensivo da tecnologia, computadores e celulares tem se transformado em um problema ao traduzir uma realidade adversa, compulsiva, outrora virtual. Nesse contexto, distúrbios psicológicos e físicos são frequentes em um cenário real de verdadeiro prejuízo.
Em primeiro lugar, cabe destacar que as relações sociais modernas têm convergido indubitavelmente para o mundo virtual, fato que leva ao consumo crescente de aparato tecnológico. Não se sabe ao certo qual a causa, mas Marx, por meio do Fetichismo da Mercadoria, explica que a busca pela realização, riqueza e felicidade exterioriza-se através do consumo e tal situação atrelada a um sem-fim de compromissos on-line reverbera em consequências como ansiedade, insatisfação, isolamento e depressão. Repercussões psicológicas extremamente negativas e que determinam um estresse social coletivo. Portanto, necessitam ser debatidos em sociedade.
Ademais, a hiperconectividade atual é tamanha que os cientistas se apressam por categorizar novos distúrbios, como a nomofobia, ou o medo irracional de permanecer sem aparelhos eletrônicos. Exemplo desse fato é condição do jovem brasileiro em passar em média 5h conectados ao celular por dia, de acordo com pesquisa da Organização Mundial de Saúde. Cenário esse, que além de retratar um grau considerável de dependência, denota vício, uma prática sina qua non não se atinge a plenitude, a realização. Sem contar, contudo, com agravantes advindos desse modelo como obesidade, sedentarismo e doenças afins. “O celular é um novo cigarro”, diria, assim, o professor Karnal.
Desta feita, medidas precisam ser adotadas e que, não necessariamente precisam ser complexas. Como a instituição de um botão automático de desligar em dispositivos eletrônicos, pelas próprias empresas desenvolvedoras de tecnologia, determinados por algoritmos e associados ao controle do usuário, servissem de aviso e proteção à saúde. Bem como, a promoção de campanhas publicitárias, por meio da mídia digital, com objetivo de mostrar o prazer além das telas, em um mundo real, palpável. De forma a fomentar uma fuga saudável do virtual, um reordenamento de sentido, para que não se caia no conto de Theodore, solitário, adverso e distópico. Tal qual o mundo de hoje.