Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 10/05/2020

No livro “Hipermodernidade”, de Gilles Lipovetsky, é retratada uma sociedade na qual os indivíduos estão mais informados, porém, ainda não críticos, mostrando assim a realidade vivida no Brasil. Com isso, evidencia-se um corpo social marcado pela dicotomia da responsabilidade ou irresponsabilidade. Nesse sentido, percebe-se que os principais motivos que levam ao vício nas tecnologias é a falta de impor limites aos filhos, o que pode causar diversas doenças psicológicas.

É imprescindível ressaltar, a princípio, que o uso excessivo das tecnologias é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com historiador Eric Hobsbawm, o século XX foi marcado pela era dos extremos devido ao paradoxo: de um lado, os avanços tecnológicos e de outro, o extermínio de cultura e povos. É o que se verifica no atual cenário brasileiro, no qual se investe em tecnologias sem levar em consideração os malefícios causados pelo uso excessivo delas. Sem dúvida, a falta de impor limites no uso do celular aos filhos, principalmente as crianças, fazem com que elas comecem desde cedo a ficarem conectadas, o que pode levar, por exemplo, à nomofobia, o medo de ficar sem celular, mais facilmente.

Ademais, é importante destacar, também, que a sociedade vive em constantes riscos ao não  conseguir controlar o próprio uso da internet, como teorizou o sociólogo Ulrick Beck, na obra “A sociedade do risco”. Assim sendo, a principal consequência é na área da saúde, pois o uso compulsivo das redes sociais, podem desenvolver doenças psicológicas, como a depressão, a ansiedade, devido ao aumento do estresse causado por essas tecnologias, que afastam o contato humano. Segundo estudos realizados pela Hootsuit, o Brasil foi considerado a segunda nação mais viciada em internet do mundo. Logo, verifica-se a falta de responsabilidade da sociedade. Desse modo, são necessários novos agentes de mudança quando se trata da relação entre os seres humanos.

Portanto, o vício em tecnologias é um desafio para o universo do homem social. Para esse mundo globalizado, são necessários investimentos na Educação Social, a fim de adquirir novos valores e mudar a conduta, porque se percebe hoje uma distorção de comportamentos. Por isso, os Institutos de tecnologia, em parceria com o Ministério das comunicações, por meio de projetos de apoio social, devem criar plataformas digitais, a exemplo do “Youtube”, já que são instrumentos de longo alcance, com documentários e até orientações sobre a necessidade de controlar os filhos quando se trata do uso compulsivo dessas tecnologias, o que irá favorecer a sociedade como um todo. Assim, é preciso ter atos responsáveis para uma sociedade mais igualitária.