Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 21/08/2020

WhatsApp, Twitter, Facebook, Instagram, ferramentas que revolucionaram as formas de comunicação da sociedade contemporânea. No entanto, apesar dos benefícios, o uso exagerado desses instrumentos resulta em uma série de problemas, que vão desde a superficialidade das relações interpessoais até doenças psicológicas. Nesse sentido, convém analisar os impactos causados pela presença das máquinas em nosso cotidiano bem como possível medida para que esse aparato não se torne nocivo aos consumidores digitais.

Inicialmente, é importante analisar como as inovações tecnológicas moldam o comportamento humano. Sob essa ótica, no episódio “Queda Livre”, da série britânica Black Mirror, é mostrado como a busca pela popularidade e necessidade de validação nas redes sociais torna superficial as relações interpessoais. De forma análoga, o pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman condiz com a situação em questão, uma vez que, para ele, as relações sociais caminham para a superficialidade com o advento das inovações digitais. Dessa maneira, o uso exagerado das tecnologias é responsável por artificializar a convivência humana na medida em que afasta as pessoas da realidade e do contato presencial.

Ademais, é interessante observar como o descontrole e uso exacerbado das tecnologias contribui para o adoecimento dos usuários. Nessa perspectiva, dados divulgados pelo site Dependência Tecnológica mostraram que cinco em cada 100 usuários das redes sociais apresentam transtornos psicológicos, como ansiedade e depressão. Desse modo, infelizmente, observa-se uma situação perturbadora, em que o vício toma o controle sobre a vontade humana, fazendo com que passemos a ser regidos pelas tecnologias ao invés de controlá-las.

Conclui-se, portanto, que as inovações digitais devem ser consumidas com cautela. Sendo assim, importante que o Ministério da Educação promova, por meio de profissionais capacitados, palestras de conscientização nas escolas, onde se encontram a maior parte dos consumidores das redes sociais. Essa ação tem por finalidade a discussão dos impactos da tecnologia nas diversas áreas da vida, além de promover a consciência dos limites de uso. Dessa forma, garantir-se-á que esse recurso tão precioso não transforme as relações sociais na realidade abordada por Black Mirror.