Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 30/08/2020
A Belle Époque foi um período de vasto desenvolvimento de tecnologias que revolucionou a forma de agir e de se relacionar na sociedade europeia no final do século XIX. Essa mudança social se tornou cada vez mais evidente na atualidade, resultando em questões como a dependência tecnológica. Isso ocorre devido ao capitalismo desenfreado por parte de grandes empresas desse ramo. Alicerçado a isso, estão a ausência de uma educação tecno-informacional, como também o interesse midiático que reforça a aquisição e uso constantes de tecnologias.
A princípio, é válido destacar que o analfabetismo cibernético, junto à imbatível dinâmica capitalista, provoca a dependência tecnológica. Esse cenário se figura pelo fato de o Sistema Educacional brasileiro valorizar mais o desempenho por médias e aprovações em detrimento à noção crítica às práticas sociais, assim como aos vícios. Em consequência disso, as escolas formam alunos alienados que se tornam reféns de aparatos tecnológicos, sendo incapazes de delimitar o virtual do real - uma vez que não percebem a utilização de smartphones e computadores como possibilitadora de um vício. A exemplo dessa situação está o conceito de Alienação preconizado pelo sociólogo espanhol Manuel Castells no livro Sociedade em Rede.
Ademais à questão educacional, nota-se que a abordagem midiática, somada ao mercado capitalista, cristaliza o vício em tecnologias. Circunstâncias como essa ocorrem por quê as grandes mídias atendem aos interesses mercadológicos, que visam a constante venda de aparatos eletrônicos, o que vai ao encontro de uma verdadeira cultura de uso excessivo de aparelhos e de redes do mundo cibernético. A consequência disso é a reafirmação, através dos grandes canais de comunicação, do vício virtual como uma realidade comum à sociedade; sem ,entretanto, tratá-lo como o problema público que é. Como exemplo dessa situação está a ditadura tecnológica apresentada pela série Black Mirror, do streaming Netflix, na qual os veículos midiáticos consolidam a super dependência à tecnologia.
Faz- se necessário, portanto, destacar a ambição do mercado capitalista, em conjunto à ausente educação tecno-informacional e à abordagem midiática, como causa do crescente vício no uso de tecnologias. Com isso, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Educação, inserir à matriz curricular uma matéria que aborde as novas tecnologias e seu uso consciente, por meio de debates em sala de aula, com a finalidade de desenvolver o senso crítico nos mais jovens, de forma que possam racionalizar o uso demasiado de eletrônicos e suas consequências. Além disso, cabe aos pais, em casa, estabelecer o uso consciente de tecnologias aos filhos, através da determinação da quantidade de horas nas redes, a fim de reduzir as chances de dependência tecnológica nos menores.