Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 23/10/2020

No período da Terceira Revolução Industrial, com o surgimento das tecnologias da informação e da comunicação (TCIs), ocorreu, após anos de seu desenvolvimento, a possibilidade do uso individual de aparelhos tecnológicos. Porém, atualmente, percebe-se uma dependência desses dispositivos digitais, o que leva a problemas como a diminuição da capacidade de raciocínio e, também, ao desenvolvimento ou ao agravamento de transtornos psicológicos.

Isto posto, é importante ressaltar, primeiramente, como essas ferramentas eletrônicas prejudicam a atividade cerebral das pessoas. Nesse viés, o escritor Nicholas Carr aborda em seu livro “A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros” como a rede está deteriorando os circuitos cerebrais e as conexões nervosas. Em analogia aos estudos de Carr, com a facilidade de acesso a conteúdos na internet, por meio dos equipamentos tecnológicos, as informações são disseminadas e concebidas sem aprofundamento - desde leituras superficiais de notícias e artigos científicos, divulgação de dados em redes sociais, explicações pouco detalhadas sobre determinados temas e até fake news. Sob esse aspecto, tal fato leva a uma queda da capacidade analítica de processar informações e afeta a memória de longo prazo e a criatividade, consequentemente há uma sociedade que tem conhecimento sobre muitos assuntos, porém essas ideias não são aprofundadas.

Além disso, esse uso compulsivo tem, também, como prejuízo o aparecimento ou a piora de doenças psicopatológicas. Nesse sentido, o Grupo de Estudos de Adições Tecnológicas (GEAT) desenvolveu uma pesquisa, publicada no site “Dependência de Tecnologia”, em que estima-se que aproximadamente 5% dos jovens que usam aparelhos digitais possam ter algum problema psicológico decorrente dos seus usos. Em comparação à pesquisa, é possível apontar esses equipamentos tecnológicos como a causa para o grande número de jovens brasileiros que apresentam algum transtorno como ansiedade, déficit de atenção, hiperatividade, depressão, agressividade e, até mesmo, nomofobia. Nessa conjuntura, sabe-se que muitos não lidam corretamente com esses problemas, o que pode afetar, futuramente, a sociedade como um todo.

Dessa forma, é necessário diminuir a dependência causada pelo surgimento das TCIs. Nesse aspecto, para que a população compreenda a gravidade do problema, o Ministério da Educação deve fornecer informações acerca dos efeitos que esse uso indiscriminado pode causar. Tal medida será feita por meio de projetos que contemplem todas as escolas brasileiras, com palestras de profissionais capacitados, assim como os do GEAT, e debates interdisciplinares que facilitem a absorção das informações pelos alunos.