Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 10/03/2021

A série ‘’Big Mouth’’ retrata a história de Nick Birch, um adolescente que se torna viciado em tecnologia, substituindo seus amigos e relacionamentos pelo seu celular. Na esteira desse processo, é nítido que o advento tecnológico trouxe benefícios informacionais, políticos, educacionais e sociais para população. Entretanto, assim como em ‘’Big Mouth’’, muitos indivíduos sofrem com as consequências dessa dependência tecnológica, afetando, assim, o seu bem-estar psicológico e social.

Em primeiro lugar, é imperioso salientar que as inovações tecnológicas trouxeram profundas mudanças nos diversos setores da sociedade. De acordo com o sociólogo Manuel Castells, com surgimento de novas ferramentas tecnológicas e o ambiente virtual sempre ao alcance, houve um crescimento de profissionais e indivíduos cada vez mais aptos a lidarem com diferentes tecnologias de forma criativa e inovadora. Além disso, devido a pandemia do Covid-19, a tecnologia tem sido fundamental para a manutenção da educação, o mundo coorporativo, aumentando em mais de 56% o seu uso, segundo dados do IBGE. Logo, é cristalino que a tecnologia contribuiu positivamente para o desenvolvimento pleno do país.

Em contrapartida, a dependência dessas ferramentas tem gerado sérios problemas ao desenvolvimento psicossocial dos indivíduos. Segundo o médico Dráuzio Varella, o vício em tecnologia gera problemas como ansiedade, estresse e irritabilidade, ao serem ignorados, podem desencadear uma série de doenças críticas. Nesse viés, uma pesquisa realizada pela USP estimou que cerca de 4,7% dos jovens brasileiros que usam constantemente a internet sofrem com algum tipo de doenças mentais, como depressão e ansiedade. Sob essa perspectiva, o advento tecnológico trouxe transformações significativas, mas, também, trouxe consigo o estigma da dependência deixando inúmeras sequelas nos indivíduos e na sociedade.

Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para combater esse hematoma social. Nessa égide, cabe ao Ministério da Saúde deve fomentar propagandas nas redes sociais e televisão, com o intuito de informar sobre os malefícios causados pelo uso excessivo de tecnologia e, também, sob medidas alternativas para diminuir o seu uso e, com isso, construir uma relação saudável com essas ferramentas. Somando-se a isso, a escola, através de projetos voltado aos alunos e toda comunidade, deve trazer profissionais da tecnologia e saúde a fim de mostrar os avanços que a tecnologia proporcionou a todos os indivíduos e sociedade e sobre como o seu uso excessivo pode afetar a capacidade cognitiva e psicológica dos jovens. Feito isso, a história de Nick Birch será menos comum aos jovens brasileiros.