Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 23/03/2021

Na obra dramatúrgica “Haja Coração”, da Rede Globo, é apresentada aos espectadores a personagem Fedora, uma jovem extremamente dependente do celular e das mídias sociais. Nessa linha de pensamento, fora das telas televisivas, é notória a mimeses entre a novela e a sociedade brasileira, visto que com o advento da globalização o fluxo de informações cresceu exponencialmente e, consequentemente, os indivíduos tornaram-se usuários compulsivos das tecnologias. Entretanto, tal cenário de dependência tecnológica é decorrente da falta de instrução prévia sobre como manuseia-las corretamente.

Em primeira análise, é relevante mencionar o aumento do fluxo informacional, decorrente da globalização – que possibilitou a criação de uma rede de comunicação com diversas partes do mundo –, como responsável pelo uso compulsório das tecnologias. À luz dessa perspectiva, destaca-se o debate da comunidade científica sobre o “FOMO”, na tradução “medo de fica de fora”. Tal pensamento é consoante à preocupação dos cidadãos contemporâneos, ao quais temem perderem qualquer tipo de informação veiculada no âmbito tecnológico. Dentro desse prisma, os usuários tornam-se dependentes das máquinas, como o celular, a fim de acompanhar as discussões que ocorrem na internet. Dessa maneira, é perceptível que a globalização tem induzido as pessoas à hiperconexão, ou seja, ao vício em tecnologia.

Outrossim, é lícito postular que o contexto de dependência das tecnologias é decorrente do manuseio incorreto destas. Sob esse pressuposto, é importante mencionar que as escolas brasileiras carecem de aulas que visem instruir os alunos sobre como fazer o uso correto das tecnologias. Sob essa óptica, a conjuntura apresentada contribui para a utilização compulsiva destas, haja vista que, segundo a obra “Pedagogia da Autonomia”, do ilustre pedagogo Paulo Freire, a educação deve ser baseada em seu caráter emancipatório da educação. Desse modo, é fundamental que a problemática seja abordada nas salas de aula do país.

Em vista do exposto, é evidente que o vício em tecnologia representa um problema a ser resolvido na sociedade brasileira. Nessa perspectiva, cabe ao Ministério da Educação promover a conversa sobre a temática abordada, por meio de palestras, as quais devem ser dinâmicas, e envolver os discentes na discussões, com o fito de evitar que estes tornem-se dependentes das máquinas. Além do mais, este ministério deve também disseminar propagandas, de cunho apelativo, com o intuito de chamar à atenção dos indivíduos, pro meio das redes sociais, como o Facebook, com o objetivo de atingir os demais cidadãos. Dessa forma, situação como a de Fedora não farão mais parte da realidade brasileira.