Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 25/06/2021
O livro “Jogador número um” de Ernest Cline, é retratado um futuro distópico, no qual a sociedade vive majoritariamente dentro de uma realidade virtual, chamada OASIS, preferindo o mundo fictício para fugir de sua própria vivência. Fora da ficção, é fato que a realidade mundial é semelhante a esse contexto. O uso constante e dependente da tecnologia no cotidiano populacional, se tornou um agravante nas relações interpessoais e, ao mesmo tempo, uma fuga da própria realidade.
Primeiramente, a partir do século XX com a revolução informacional, as relações sociais se tornaram, cada vez mais, dependentes do meio virtual para existirem. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade está inserida na chamada “moderninade líquida”, caracterizada pela falta de solidez nas relações humanas. Sendo assim, a inconstância de relacionamentos provocada pela tecnologia caracteriza um retrocesso, posto que, com relações cada vez mais frágeis, torna-se inevitável o distanciamento entre as pessoas com o passar do tempo.
Ademais, vale ressaltar que a tecnologia e, consequentemente as redes sociais, caracterizam um mecanismo de fuga da realidade em que o usuário está inserido. O “eu” se tornou um produto a ser consumido, no qual as “curtidas” são responsáveis por definir o valor do ser humano. Sendo assim, a busca pelo escape de uma existência acarreta no aprisionamento em outra, posto que a dependência pela aprovação não desparece no universo tecnológico.
Sendo assim, faz-se necessária uma solução para as crescentes dependências tecnológicas. O Governo Federal deve realizar campanhas de conscientização sobre o uso excessivo da internet, por meio de veículos públicos comunicativos. Além disso, as redes sociais devem omitir o número de curtidas das publicações, evitando assim a objetificação consumista de pessoas. Espera-se assim, que a sociedade se distancie do mundo distópico desenvolvido por Ernest Cline, evitando o aprisionamento em qualquer uma das realidades.