Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 25/06/2021

Durante o século XVIII, a Revolução Industrial possibilitou um amplo desenvolvimento tecnológico e consolidou o processo de formação do capitalismo. Com isso, o surgimento da indústria e a produção mecanizada transformaram o estilo de vida e pouparam o tempo destinado ao trabalho humano. Contudo, na atualidade, o uso exacerbado das máquinas torna necessário o debate a respeito da dependência dos aparelhos digitais, uma vez que o não combate desse vício, além de ser nocivo, permitirá que o homem seja cada vez mais dependente.

Em primeiro lugar, faz-se necessário destacar que, ao longo da História, o constante relacionamento entre seres humanos e inanimados permitiu a criação de novas ferramentas, capazes de modificar o cotidiano da sociedade. Segundo o geógrafo Milton Santos, o atual meio técnico-científico-informacional é marcado pela interação entre a ciência e a técnica, na qual as máquinas carregam grande aporte técnico e científico, além de possibilitarem uma ampla estrutura de informações. Entretanto, apesar dos benefícios proporcionados pelos avanços tecnológicos, o acesso fácil e irracional às tecnologias desencadeia na dependência digital dos indivíduos na contemporaneidade.

Por conseguinte, o uso dos aparelhos tecnológicos passou a ir além do auxílio às atividades rotineiras essenciais, fazendo com que o homem não utilize a variedade de dispositivos disponíveis moderadamente. No ano de 2019, um estudo realizado na Universidade Federal do Espírito Santo revelou que um em cada quatro adolescentes é dependente tecnológico e possui mais de 80% de chance de desenvolver doenças como ansiedade e depressão. Dessa forma, é possível perceber que o Homo Sapiens é e continuará sendo dependente das máquinas devido ao modo como ele emprega esses instrumentos diariamente, tornando tal estado nocivo por gerar severos impactos na vida dos indivíduos. Logo, a saúde mental dos usuários se encontra ameaçada, tendo em vista que a excessiva preocupação em estar constantemente conectado afeta o desenvolvimento pessoal e influencia o comportamento das pessoas.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o cenário atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura inclua, por meio da renovação da grade curricular e da oferta de palestras, aulas de educação digital e políticas educacionais nas escolas, a fim de educar os estudantes acerca do uso consciente e produtivo dos aparelhos eletrônicos. Somente assim, a sociedade será alertada a respeito dos perigos ocasionados pelo vício tecnológico e os dispositivos proporcionados a partir da Revolução Industrial serão utilizados de maneira proveitosa e significativa.