Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 25/06/2021
O Maniqueísmo Anti-digital
Máquinas são dispositivos tecnológicos desenvolvidos por nós, humanos, a fim de facilitar ou promover tarefas. Portanto, considerando que, sem tais aparatos, não cumpriríamos essas atividades da mesma forma, pode-se inferir que já somos dependentes deles, por definição. Porém, a maleficência da dependência tecnológica é gradativa e não requer manifestação de qualquer vício, contrapondo, assim, o senso comum maniqueísta acerca de seu uso.
Dessa forma, a tecnologia pode tanto provocar prejuízos, quanto servir de poderosa ferramenta para o alcance de conhecimento, através do acesso instantâneo a diversas fontes, como páginas de divulgação científica. Ou, então, pode servir como um meio de se organizar grandes eventos ou protestos, assim como se deu a Primavera Árabe, em 2010, na qual essa população, através da internet, foi capaz de organizar intensas manifestações contra o regime autoritário, lá presente. Além disso, a tecnologia nos concede a possibilidade de terceirizarmos incumbências aos dispositivos e, assim, reservarmos tempo, energia e memória de trabalho àquelas atividades que nos são exclusivas, como trabalhos manuais, ou mesmo, o autocuidado.
Entretanto, há níveis em que tal dependência representa o vício, que pode ser entendido como antônimo da virtude, quando há tentativas de se passar menos tempo nos aparelhos, porém sem sucesso, por conta de sentimentos negativos que passam a se apresentar nesses casos. Outro malefício é quando os dispositivos tecnológicos são usados como fuga, tanto de afazeres, quanto de interações sociais, as quais, segundo o coordenador do Núcleo de Dependência Tecnológica do Hospital das Clínicas, Cristiano Nabuco, quando não praticadas, torna-se mais díficil, para os usuários compulsivos, identificar emoções alheias e preservar habilidades sociais, o que leva a mais necessidade de fuga, criando-se um ciclo vicioso. Desse modo, caso houvesse maior valorização de vivências não virtuais, através de uma aumento na qualidade delas, de forma que ficassem mais interessantes que as virtuais, além da conscientização da população, principalmente infantil, quanto ao bom uso tecnológico, seria promovido o banimento de vícios desse tipo.
Então, tornam-se claros o prejuízo aos usuários, quando mal manejada a tecnologia, e a invevitabilidade da dependência de tais dispositivos, já que, lhes considerando, projetamos todo o futuro. Por isso, cabe às instituições estudantis, praticar pedagogias que estimulem vivências mais enriquecedoras, como jogos de raciocínio e brincadeiras, por exemplo, a fim de germinar gerações que usem a tecnologia como ferramentas e saibam dominar os momentos apropriados a utilizá-las.