Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 05/07/2021

Karl Marx defendia, por meio do materialismo dialético, que a sociedade é um processo em constante transformação. Nessa perspectiva, a supressão do meio físico mediante à dominação da esfera tecnológica representa um mecanismo de globalização da comunicação em massa que, contudo, fortaleceu uma lógica individualista. Desse modo, destaca-se um complexo debate relacionado a dimensão da alienação tecnológica e o reflexo na postura do usuário conectado em rede.

Em primeiro lugar, cabe destacar o estigma social referente a lógica predominante na era contemporânea. O momento atual é marcado peal introdução da Geração Z, nascidos entre 1990 e 2010, definidos como o grupo que usufruiu do pleno acesso a tecnologia desde o nascimento. Essa possibilidade permitiu a conexão do usuário a informações, pessoas e eventos de forma quase instantânea, além do espaço para apresentação de múltiplos pontos de vista, permitindo pela primeira vez na história a autonomia do indivíduo frente a obtenção de notícias e dados. Assim, ampliado pelo advento de redes sociais, esse posicionamento reduziu as relações sociais a mesma abordagem da perspectiva adotada no acesso em rede, ou seja, uma postura inconstante, rasa e volátil.

Ademais, deve-se considerar os princípios que desencadearam esse cenário. Monteiro Lobato, por meio do seu personagem Jeca Tatu no último conto de “Urupês”, traçou a índole do brasileiro como conformista e cômoda. Essa postura, presente até o momento atual, associada a postura dos nativos digitais, corrobora com a construção de uma lógica centrada na supremacia do indivíduo, em que o meio digital oferece o espaço propício a segregação e inércia. Logo, há a soberania da compulsão tecnológica, demonstrando a percepção desse processo como um paradoxo da sociedade moderna.       Portanto, toda essa questão salienta a necessidade de revisar valores contemporâneos coercitivamente repassados relacionados à recepção elementos tecnológicos. Para tal, deve-se construir uma postura que utilize os aparatos digitais como pontes para comunicação e desenvolvimento. Nesse sentido, o Ministério da Ciência, órgão responsável por promover áreas estratégicas de estímulo ao desenvolvimento tecnológico e inovação, em parceira com o Ministério da Educação, deve implementar dentro das atividades escolares projetos que destaquem a conexão dos alunos utilizando o lado positivo da tecnologia, como debates por meio de plataformas virtuais, jogos que estimulem a pesquisa, além do contato com outras realidades utilizando aparatos digitais. Desse modo, construindo um panorama que busque a integração e desfortaleça a hegemonia do individualismo.