Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 01/09/2021

“A programação existe para manter você na frente / Na frente da TV / Que é para te entreter / Que é para você não ver que o programado é você […]”. Os versos do rap “Até quando?”, de Gabriel o Pensador, ressaltam, de forma crítica, o poder da tecnologia construído em cima de uma dependência humana sobre a mesma. Sabe-se que, nos dias que correm, os impactos desses avanços influenciam de forma instantânea a organização mundial. Visto que, cada vez mais, atividades rotineiras se ligam à essas evoluções, o que torna o corpo civil constantemente dependente. Isso ocorre seja pelo alto controle tecnológico, seja pela propensão a um retraimento social, os perigos da dependência tecnológica é uma pauta a ser analisada e enfrentada.

A priori, o poder da tecnologia é globalizado, já que com isso, obtém-se o controle sobre tudo e todos. Desde a Revolução Industrial no século XVIII, acredita-se que a construção de máquinas, emergidas em outros desenvolvimentos tecnológicos, contribuiriam para uma sociedade cada vez mais desenvolvida, entretanto, visto a vasta importância desses avanços em um cenário global, a ideia de que as máquinas auxiliariam os homens foi substituída por uma realidade oposta, os homens auxiliando as máquinas. A problemática se aplica a partir do momento em que os indivíduos se acomodaram, permitindo o progresso e controle da máquina e a regressão e subordinação humana.

Acrescenta-se também que com quase todas as atividades cotidianas sendo solucionadas por meio de métodos modernizados, o indivíduo começa a relativizar a participação coletiva nesse cotidiano. “O humano é um ser social porque é um animal que precisa dos outros membros da espécie.”, a frase do filósofo Aristóteles, enfatiza a importância das relações sociais entre seres, com isso, é necessário ressaltar que mesmo com a solução tecnológica na vida, são essas interações responsáveis por surgimentos de novos avanços. O isolamento implica diretamente o desenvolvimento.

Em síntese, a dependência tecnológica pode ser um ponto crucial para o retrocesso humano. Cabe aos ambientes escolares implementarem em suas grades educacionais atividades extracurriculares que estimulem o treinamento físico, por meio de esportes, leituras, artes manuais e outros, a fim de tirar um pouco o foco dos meios digitais e estimular as capacidades mentais. Também é importante que a sociedade busque sempre ligações coletivas presenciais, para que a socialização não se banalize por conta da digitalização das relações. Submissão humana perante a tecnologia é um atraso.