Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 27/09/2021
A obra “O fim da infância”, de Arthur C. Clarke, é uma ficção científica escrita em 1953. Não obstante, ela possui críticas à situação da época que repercutem na sociedade brasileira contemporânea: as pessoas passavam muito tempo diante de televisões, acompanhavam vidas alheias mais do que as próprias e não absorviam cinco centésimos do conteúdo disponibilizado, mas ficavam anestesiadas pelo entretenimento, sem necessidade de pensar ou criar - na situação atual bastaria trocar os televisores pelos celulares. No Brasil, essa dependência tecnológica afeta a saúde dos brasileiros e é derivada da ausência de responsabilidade por parte das empresas com os usuários.
Em primeira instância, uma pesquisa da Motorola mostrou que cerca de 40% dos brasileiros estão viciados em smartphones. Essa situação atinge jovens e adultos e provoca danos mentais, tendo em vista que o desempenho cognitivo e as relações sociais são debilitados pela ansiedade, insônia e transtornos de comportamento - como agressividade em situações de privação do uso. Logo, em uma era tecnológica, é importante um aprendizado acerca de como lidar com as tecnologias - conscientizando-se da utilização dos aparelhos, bem como relativizando sua necessidade, a fim de proteger-se dos males - uma vez que elas estão presentes em situações cotidianas - desde diversão até o trabalho.
Contudo, esse problema é esperado em um contexto nos quais as instituições tecnológicas fomentam a dependência dos usuários. Seja por meio do visual atrativo, notificações, algoritmos que personalizam a experiência ou reprodução automática, há diversas estratégias que buscam prender a atenção do indivíduo. Assim, é criado um cenário tal qual o do livro supracitado e as pessoas tornam-se “acorrentadas” pelo entretenimento, além de receber pequenas doses gratificantes, por meio de curtidas, que possuem efeito biológico – liberação hormonal. Portanto, em prol da garantia dos interesses financeiros das empresas, as redes sociais constituem uma grande propaganda adequada a cada pessoa.
Destarte, o Ministério das Saúde deve se aliar às mídias, em uma campanha de conscientização sobre a dependência tecnológica. Esse projeto deve acontecer por meio de curta-metragens sobre o vício, depoimentos de pessoas que sofreram alguma consequência, e, inclusive, de ensinar táticas para diminuir ou acompanhar o uso dos dispositivos eletrônicos. Além disso, precisa haver uma ação nas escolas, nos locais de trabalho e em programas, com professores, especialistas em redes e psicólogos, sobre o método e os interesses das empresas, a fim de garantir a informação da população.