Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 25/10/2021

Auguste Comte, filósofo francês e pai do positivismo, entendia que a ciência organiza para poder aplicar a tecnologia, preferencialmente, em beneficio da humanidade. No entanto, apesar da utilidade cada vez maior das tecnologias neste mundo moderno, elas têm entregado fardos muito pesados para seus utilizadores: o vício e a dependência tecnológica. Ambas condições privam o ser humano de ter um contato mais real com o mundo e, simultaneamente, fortalecem condições propícias para o aparecimento de disturbios psquiátricos, como a depressão.

As características intrínsecas de equipamentos e aplicativos (sites e redes sociais inclusos) são projetadas para despertar gatilhos mentais, porque possuem intuito de fazer com que o usuário passe o maior tempo possível interagindo com o aparelho ou recurso. Como mostrado no documentário da Netflix, “O Dilema das Redes”, os profissionais envolvidos com o desenvolvimentos de aplicativos, por exemplo, estudam matérias específicas destinadas a apresentar técnicas de persuasão veladas dentro do dispositivo. É um imenso bombardeamento de recursos gráficos que provocam o mesmo efeito de drogas psicotrópica, que dizem ao cérebro para não parar de receber tais estímulos. Em mentes já fragilizadas, como a de jovens em formação, há o risco de desenvolver doenças psiquiátricas graves.

Outrossim, os aplicativos disseminados e comuns do mundo moderno criam dependência social, emocional, física, profissional e financeira aos seus usuários ou àqueles que querem começar a participar deste mundo virtual. Afinal, a comodidade que aplicativos como Ifood promove, trás consigo também a pouca necessidade de interação social. E essa solidão provoca a desindividuação, que é a perda da auto-consciência quando o indivíduo está inserido em um grupo ou contexto. O reforço positivo  (teoria behaviorista de Skinner, psicólogo americano) aponta que esse laço tende a se manter forte enquanto não houver a presença de outro tipo de estímulo para interromper que o hábito malicioso das novas tecnologias provocam.

Dessarte, faz-se mister a presença de influências externas, no mundo real, para dar oportunidade a pessoas que estão viciadas ou habituadas com o uso intenso de aparelhos e recursos contemporâneos. Por isso, é imperativo que governo, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e o da Saúde, intensifique a promoção ao acesso a locais públicos para lazer, eventos, esporte e cultura. Isso se daria por meio de programas de promoção a saúde, subsidiadas ou não, e publicidade. Assim, haveriam opções a esses cidadãos de quebrarem as correntes tecnológicas e interagirem fisicamente.