Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 11/02/2023
Renato Russo, em uma de suas músicas, canta “parece cocaína, mas é só tristeza…” para se referir a um sentimento que acontece com constância. A metáfora utilizada pelo cantor ao comparar uma droga a um elemento recorrente, pode ser perfeitamente transposta para o uso desenfreado da tecnologia na nossa sociedade. Esse descontrole possui explicações biológicas e, assim como algumas drogas, pode levar a consequências graves à saúde da população.
Em primeiro lugar, o acesso ao celular pode ser biologicamente comparado a um vício. Cada notificação, cada “like”, gera no corpo doses de dopamina similares ao uso de certas substâncias químicas. Sob essa ótica, percebe-se o quão tentadora é a possibilidade de uma “olhadinha” rápida nesses aparelhos, buscando doses homeopáticas de “felicidade” para fugir do tédio e dos problemas da vida cotidiana. Essa ação, aparentemente inofensiva, logo pode se tornar excessiva, acarretando sérios problemas para o bem-estar do indivíduo.
Uma das consequências do uso demasiado dos celulares na saúde é o dano ao sono. O psicólogo brasileiro Eslen Dalagnore menciona que o simples ato de interagir com essas “fontes dopaminérgicas” antes de dormir pode ter impactos catastróficos na qualidade do descanso de uma determinada noite. Ademais, a ciência diz que a luz azul, emitida pelos aparelhos, pode ter influência negativa no ciclo do sono. Isso significa uma maior propensão à insônia, ansiedade, stress, ou, até mesmo, tristeza, como cita a música de Renato Russo.
Em suma, a utilização desenfreada da tecnologia deve ser encarada como um problema de saúde pública. Seus riscos e manejos conscientes devem ser expostos para a população por meio de ações educativas planejadas pelo Governo Federal, mais especificamente, pelo Ministério da Saúde. Uma possibilidade seria a junção de especialistas da área, como psicólogos e médicos, para alertar a população dos perigos dessa utilização eletrônica excessiva. Isso pode ser feito por meio de vídeos curtos, chamativos, divulgados nas redes sociais. No fim, a busca é de uma relação mais saudável do indivíduo com esses aparelhos.